Por thiago.antunes

Rio - A Olimpíada acabou e começou o legado ou a discussão sobre ele. Sempre defendemos nesta coluna que os benefícios da Rio 2016 vão além da receita contábil derivada do período da competição. O sucesso do evento atrai a simpatia do mundo para Rio.

Consolidamos a percepção de uma cidade eficiente e maravilhosa, dotada de um povo acolhedor, festeiro e capaz de juntar os cacos e construir um lindo vitral, com muitos pedaços de seus valores, beleza e cultura.

Recebemos, sem jeitinho e improviso, 1,17 milhão de turistas com dignidade. Fizemos uma festa de superação, com segurança pública, mostrando a nossa competência.
Ao mesmo tempo, essa semana foi divulgado que a cidade de Paris, o principal destino turístico do mundo, perdeu no primeiro semestre de 2016, o equivalente a 1 milhão de turistas, principalmente devido ao medo provocado pelos ataques terroristas.

O turismo é a principal fonte de renda da capital da França e representa 7% do PIB francês. A região das praias e dos castelos franceses tiveram cerca de 10% de queda de turistas.

Esses dois movimentos, o sucesso inquestionável e retumbante da Rio 2016 e a queda da turismo e o terrorismo em Pais, não faziam parte de estudo ou planejamento no setor há um ano atrás.

Por isso, é possível que o Rio se beneficie, sendo incluído em novas rotas turísticas, sobretudo mirando o mercado de viajantes de origem asiática, que foram os que mais diminuíram os pacotes para a França. Precisamos aproveitar o vento favorável e capitalizarmos esse sentimento de dever cumprido.

Muitos se perguntam o que vai ser da nova base hoteleira do Rio após a Olimpíadas. Pois, está aí a oportunidade. O Rio precisa se reinventar e depender cada vez menos dos royalties do petróleo. A Rio 2016 resgatou o orgulho de ser brasileiro e a capacidade turística da cidade, que é porta de entrada dos estrangeiros no Brasil.

Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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