Gilberto Braga: Juros do especial cada vez mais altos

Em época de crise como a que a vivemos, manter o equilíbrio orçamentário é quase impossível para uma grande fatia da massa trabalhadora brasileira

Por O Dia

Rio - Não se trata da novela Escrava Isaura, que foi reprisada até a exaustão na televisão, em que era possível prever o sofrimento da personagem central e o fim da trama.

A verdade, trata-se de mais uma pesquisa do Banco Central que apurou que os juros do cheque especial bateram recorde histórico, desde 1994, quando a coleta começou a ser feita, alcançando 321,9% em média ao ano, o que equivale a 12,7% ao mês.

O resultado apurou que, em média, as famílias pagam 41,9% de juros anuais a bancos nas diversas modalidade de financiamento, o que é equivalente a taxa mensal de 3%. Falando de forma mais simples, quem recorre ao especial paga taxa de juros pelo menos 3 vezes maior do que média das demais pessoas que recorrem ao crédito bancário.

Se entrar no vermelho no banco custa caro, pior é dever ao cartão de crédito, em que a taxa anual saltou mais 3,5 pontos, passando para 475,2% ao ano ou 15,7% ao mês. Ou seja, dever no cartão é cerca de 25% mais caro do que ao cheque especial.

Em época de crise como a que a vivemos, manter o equilíbrio orçamentário é quase impossível para uma grande fatia da massa trabalhadora brasileira. Por mais que se planeje, economize no supermercado, mude-se os hábitos em casa e se diminua os excessos, os preços só aumentam devido a inflação alta e ainda sempre aparece uma despesa surpresa que não se cogitava.

Por isso, gastar sem ter a certeza do dinheiro tende a começar quase de forma inocente, como se fosse uma travessura, que causa um pequeno déficit num mês. Você acaba usando um pedaço do limite do cheque especial ou o empréstimo rotativo do cartão de crédito (quando não se paga a fatura toda no vencimento e se faz a rolagem do saldo devedor para o mês seguinte).

O ideal é não usar nem o limite do cheque especial nem do crédito do cartão. Se for imprescindível, tente sair logo e nunca se acostume a pagar esses juros exorbitantes. De forma silenciosa, tendem a se fazer presente na vida das pessoas por um bom tempo. Se for o seu caso, o conselho é buscar ajuda profissional e renegociar tudo.

Tente pegar um empréstimo de juros menores e de prazo mais longo para quitar todas as outras dívidas, pedindo desconto no pagamento. Depois disso, mude seu estilo de gastos e crie controles financeiros para não se perder novamente. Parece novela, mas as vezes tem final feliz.

Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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