Por thiago.antunes

Rio - Seguro Auto Popular, que promete baratear o preço da apólice em 30% deve, finalmente, sair do papel e ganhar as ruas. Isso porque a Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão que regulamenta o setor de seguros, atendeu ao pleito da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), que reivindicava ampliação do uso de peças paralelas para reparos em veículos segurados. Representantes do setor defendiam que a mudança é necessária uma vez que a demanda por peças não poderia ser suprida apenas por peças originais.

A resolução, aprovada semana passada pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), vai possibilitar que o produto seja mais voltado para pessoas que ainda não possuem proteção para os seus veículos por causa de preço. Um dos principais entraves do Auto Popular era o fato de não autorizar o uso de peças alternativas no conserto de veículos e isso encarecia a contratação do seguro.

Foco é para quem tem carro com mais de 5 anos de uso%2C mas seguro vale para veículo de qualquer idadeBanco de imagens

Outros fatores, segundo a FenSeg, que influenciam na queda de preço é a redução da cobertura de alguns itens, como vidros, lanternas, faróis, além de limitar o uso de reboque, por exemplo.

De acordo com a Susep, “a permissão do uso de peças oriundas de desmontagem não afasta a possibilidade de utilização de peças de reposição adequadas e novas que apresentem as mesmas especificações técnicas do fabricante, asseguradas ao destinatário informações claras, suficientes e destacadas acerca da procedência “ da adequação do produto".

O texto ainda destaca que “a sociedade seguradora somente poderá utilizar peças de reposição não originais após autorização específica do segurado no momento da contratação”.

Foco

Embora o foco seja para quem tem carro usado, principalmente no caso de veículos com mais de cinco anos de uso, o seguro pode ser contratado por veículo de qualquer idade. Os modelos mais antigos não costumam ser aceitos por seguradoras ou os valores das apólices são elevados, inviabilizando a contratação.

Mas, segundo a Proteste, associação de defesa do consumidor, é preciso que o contratante tenha cuidado diante da permissão para utilização de peças usadas. “Há obrigação do uso de peças originais recondicionadas. Elas devem ser oriundas de empresas de desmontagem especializadas e regulamentadas, conforme lei específica, para a recuperação de veículos sinistrados com cobertura securitária”, diz Gisele Rodrigues, técnica da Proteste e especialista em seguros.

Regras para utilização de peças usadas

O uso das peças de desmanche é regulamentado pela resolução do Contran número 530, de 2015, que detalha o processo. De acordo com a regra, nem todo carro pode ser “desmanchado”.

Art. 6º Não poderão ser destinadas à reposição, independentemente do estado em que se encontrem, os itens de segurança, assim considerados o sistema de freios, o sistema de controle de estabilidade, as peças de suspensão, o sistema de air bags, os cintos de segurança e seus subsistemas,o sistema de direção e os vidros de segurança com gravação da numeração de chassi, sendo sua destinação restrita para remanufatura ou reciclagem e tratamento de resíduos.

Além disso, outras peças, como o bloco do motor, faróis, condensador de ar e o para-choques, para citar alguns exemplos, deverão ser etiquetadas com um padrão de etiquetas e um número de série controlado pelo Detran do estado.

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