Por thiago.antunes

Rio - A votação do último domingo trouxe um fato marcante que foi a crescente parcela de eleitores que deixou de comparecer às urnas. A abstenção média de eleitores no Brasil foi de 17,60%. No Rio, as faltas chegaram a 24,28%, a maior do país. Um em cada 4 cariocas não votou.

O número dos eleitores que não compareceu foi maior do que os votos dados ao primeiro colocado, o candidato Marcelo Crivella. Certamente a desilusão com a política e a sensação de que “ninguém me representa” deve explicar uma boa parte desse resultado.

A crise econômica, em outro plano, com a percepção de que a situação não está melhorando, ao contrário, está ficando cada dia pior, deve explicar a outra parte dos motivos pelos quais os outros não votaram. Em menor dose, os que estavam viajando e justificaram, completam o grupo do faltosos.

Curiosamente a gestão de Eduardo Paes, muito bem avaliada nas pesquisas pelos moradores do Rio, não dominou a agenda da campanha, numa discussão em que tradicionalmente os planos da cidade ficam em primeiro lugar. Os tropeços de Paes nas gravações, os erros no marketing político e a teimosia com a candidatura de Pedro Paulo, que foi ferida de morte pelas denúncias de agressão à ex-mulher, acabaram por decretar a derrota do PMDB e a nacionalizar a campanha do Rio.

Entretanto, no plano geral, pode-se dizer que as duas grandes questões estão relativamente encaminhadas. No campo político, a confirmação do impeachment de Dilma poderia ser uma resposta imediata, combinada com o projeto de reforma política.

No campo da economia, as reformas propostas pela equipe econômica de Temer são festejadas pelo mercado e todos os analistas já projetam melhorias ainda em 2016, com o início da redução da taxa Selic e uma reversão do quadro em 2017, com um PIB positivo.

Parece, no entanto, que a paciência dos eleitores cariocas já acabou. Como o governo Temer se comunica muito mal com a sociedade, a maioria não entendeu ou nem tem conhecimento sobre os planos em discussão do atual governo.

Criou-se sensação de auto exclusão da cidadania. Só se escuta nas ruas que a vida está uma droga, que só tem político ladrão, que os preços do supermercado não param de crescer e que o salário não dá mais para tudo.

Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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