Leite e feijão ajudam a frear a alta da inflação em setembro

IPCA desacelera e fecha o mês passado com alta de 0,08%

Por O Dia

Rio - A queda de preços do leite longa vida, do feijão preto e da batata inglesa frearam a alta da inflação em setembro. O indicador registrou alta de 0,08% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) no mês passado. Esta é a menor variação da inflação oficial no período desde 1998. No último mês, a elevação de preços foi de 0,44%, conforme dados do IBGE, divulgados ontem. 

Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do órgão, explica que o resultado de setembro mostra estabilidade em relação a preços de agosto. “Não significa que os produtos ficaram mais baratos. E, sim, que neste mês, em média, os preços ficaram mais estáveis”, diz.

Mara Vieira já sente reflexo no bolso e garantiu o feijão para famíliaLuiz Ackermann / Agência O Dia

Menor desde maio de 2015

Em 12 meses até setembro, o índice acumulado caiu para 8,48%, contra 8,97% no período até o mês anterior. É considerado o mais baixo, desde maio de 2015, quando obteve 8,47%. O problemas climáticos que reduziram a safra agrícola de 2016 aliada à desvalorização do dólar foram fatores que elevaram os valores.

No bolso, os consumidores como a aposentada Mara Vieira, 66 anos, já sentem a pequena diferença dos preços nas prateleiras dos supermercado. Ela conta que não deixou de comprar alimentos preferidos da família como o feijão, mas que diminuiu a quantidade. “No último mês deu aliviada, mas ainda está muito caro”, diz.

Já a aposentada Luzia dos Santos, 60, chamava atenção ao colocar algumas caixas de leite no carrinho. Com preços que variavam de R$ 2,75 até R$3,99, ela não perdeu a chance de garantir a compra.

“O feijão chegou a R$ 9 e não levei. O leite volta à mesa com esse preço”, afirmou. Alimentos como batata inglesa, com queda de 19,24%; leite longa vida, baixa de 7,89%, feijão carioca (-4,61%) e a cebola, (-3,30%) foram destaques na queda da inflação.

Ontem, o IBGE também divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação de famílias com renda mais baixa. De agosto para setembro, caiu de 0,31% para 0,08%.

Preços em baixa devem impactar a taxa de juros

A reportagem de O DIA ouviu especialistas na área para entender os impactos da queda de preço no bolso no consumidor. Para Alexandre Prado, a taxa de inflação abaixo do esperado aumentará a possibilidade de uma redução da taxa básica de juros na economia brasileira, a Selic, o que impactará positivamente em setores da economia e no bolso do cidadão.

“Não é que o preço não está bom, ele está menos pior”, diz. De acordo com Prado, a expectativa é de melhora no cenário.

Especialista em varejo, Marco Quintarelli explica que a baixa produção, em decorrência de período com pouca chuva impactou a produtividade das vacas leiteiras. “Em setembro a safra de leite teve melhora e, por isso, os preços baixaram”, afirma.

Reportagem de Ana Paula Silveira

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