Servidor: Beltrame afirma que 13º e salário de dezembro não estão garantidos

Desde o começo de Pezão, secretário vinha atuando para tentar garantir os recursos necessários para a Segurança e evitar que os servidores fossem atingidos pela crise

Por O Dia

Rio - No mesmo dia em que confirmou sua saída do cargo, o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, pintou um quadro nebuloso quanto ao pagamento dos servidores da pasta nos próximos meses. Ele disse ontem que além do 13º, não estaria garantido o pagamento do salário de dezembro do pessoal da pasta, em mais um capítulo da grave crise financeira que o estado vive.

“Nada está garantido”, disse Beltrame, em entrevista ao RJTV, da TV Globo. Subsecretário da própria pasta, Roberto Sá assumirá o cargo de titular.

Desde o começo da gestão do governador licenciado Luiz Fernando Pezão, Beltrame vinha atuando para tentar garantir os recursos necessários para a Segurança e evitar que os servidores fossem atingidos pela crise.

Em junho, o secretário havia dito que os recursos de R$ 2,9 bilhões destinados pela União ao Estado do Rio seriam para o pagamento de policiais com salários atrasados. Na ocasião, Beltrame afirmou que era importante honrar o pagamento dos vencimentos, da premiação e do Regime Adicional de Serviço (RAS) para ajudar na motivação dos funcionários.

No dia 10, a Secretaria de Fazenda informou à coluna que o RAS e o RAS Olímpico serão regularizados o “quanto antes”, sem dar uma data específica para o pagamento.

Governo do Estado

Sobre as declarações do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, o governo do estado informou, em nota,que “está concentrado para que o pagamento dos salários dos servidores ativos, inativos e pensionistas ocorra dentro do calendário previsto, até o décimo dia útil de cada mês”. Com relação ao 13º salário, não há nada definido.

Colpol sem surpresa

Presidente da Coligação dos Policiais Civis do Estado (Colpol), Fabio Neira criticou o estado e disse que não é surpresa para a entidade a declaração do secretário. Ele afirmou que os direitos dos servidores serão reivindicados para que o pagamento sejam honrados. “Deste governo, podemos esperar tudo e não vamos pagar essa conta”, disse.

Tudo é possível

Neira disse ainda que, embora não fosse adiantar quais ações seriam tomadas para garantir os direitos, admitiu que alternativas estão em estudo e que todas as medidas tomadas pelo governo para superar a crise sempre impactam o funcionalismo. “Tudo é possível, desde que seja decidido em assembleia”, disse.

Movimentos

O presidente da Colpol lembrou alguns movimentos empreendidos pelos trabalhadores para pressionar o governo, como a passeata com mais de mil policiais que foi da da sede da Chefia de Polícia Civil até o prédio da Assembleia Legislativa (Alerj) e a recepção aos visitantes que chegavam para a Olimpíada no Aeroporto Internacional.

Sindicato lamenta

O Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) lamentou a saída do secretário Beltrame do cargo e ressaltou que a permanência dele à frente da Segurança ficou inviável diante da falta de recursos para atender às demandas das polícias Civil e Militar. Lembrou a crise vivida que, além de atrasos de salários, impede a convocação de aprovados em concurso.

Sem garantia

Advogado da Federação das Associações e Sindicatos dos Servidores Públicos no Estado (Fasp), Carlos Henrique Jund disse ontem que os salários dos servidores, na prática, não estão garantidos desde o começo do ano. E que o processo de arresto dos recursos estaduais continuará a ser feito para que os vencimentos de todos dos servidores possam ser pagos.

Coluna de Matheus Gagliano

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