Por bianca.lobianco

Rio - A redução do preço da gasolina nas refinarias promovida pela Petrobras há duas semanas ainda não chegou nas bombas de abastecimento. A decisão foi devida ao alinhamento de preços internos com os do mercado internacional. Mas ao contrário da expectativa, contraindo o senso lógico, o preço até aumentou para o consumidor. Como explicar?

A redução que deveria de ser, segundo a Petrobras, de R$ 0,05 por litro na ponta e não aconteceu. Em muitos postos, o preço subiu R$0,10.De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, o preço médio brasileiro para o litro da gasolina é de R$ 3,70. No Brasil, estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal pagam menos de R$ 3,50 por litro.

No Rio, o preço ronda os R$4, sendo o valor médio de R$3,98, com mínimo de R$3,37 e máximo de R$ 4,89. Na capital, nos bairros nobres é difícil achar gasolina que custe menos de R$4,10.

No caso do Rio parece difícil de entender os motivos quando alguém lembra que o estado tem a maior bacia de exploração do petróleo do Brasil. Mas a explicação é simples, o ICMS (imposto de competência dos estados) embutido no preço é maior por aqui. Na média nacional, 38% são tributos e no Rio, a mordida chega a 40%.

No entanto, a mistura do etanol na composição da gasolina produzida no país explica a razão dos valores não terem baixados para o consumidor, mesmo com a redução nas refinarias. Um litro de gasolina tem 27% de etanol na composição, como estamos na entressafra da cana de açúcar, os preços subiram e anularam a redução do valor do petróleo.

Pois é, essa questão do etanol explica mas não dá muito para aceitar. Nós somos os maiores plantadores globais de cana e os maiores produtores mundiais de etanol, como entender não termos política eficiente de estoques reguladores para estabilizar os preços na entressafra?

Só há uma certeza, a gasolina está cara e não compensa usar etanol que custa mais. Para economizar, se puder, é melhor deixar o carro em casa e usar o transporte público. 

Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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