Por lucas.cardoso

Rio - Eles passaram dos 50. Mas ainda estão ativos no mercado de trabalho, desafiando o estigma de que estariam velhos demais para competir por vagas em tempos de crise. Levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo indica que o varejo dispensou trabalhadores jovens para apostar em profissionais experientes. Quase 28 mil vagas foram geradas no verejo no país no ano passado para profissionais acima dos 50 anos. Em contrapartida, nove em cada dez trabalhadores demitidos tinham até 24 anos.

Há alguns anos, um amigo do garçom Otávio Damasceno indicou vaga em um restaurante da Tijuca. Mas fez uma advertência em relação à idade dele. Ao chegar lá, Otávio perguntou se a proprietária queria juventude ou experiência. “O profissional com mais de 50 só consegue trabalho se conhecer as pessoas na área. Eu conheço muita gente no ramo. Isso ajuda”, conta.

O garçom%2C Otávio Damasceno comemora a contratação após os 50 anos e aposta do patrão na sua experiènciaDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Aos 54 anos, ele trabalha em um restaurante da Lapa que valoriza a experiência. Otávio não é o único cinquentão no estabelecimento. O copeiro Antonio Alves de Souza, de 55 anos, é o responsável pelos drinques e sucos. Com a experiência de quem trabalha há três décadas no mesmo segmento, Antonio ainda ensina os colegas de trabalho mais jovens no preparo das bebidas. E, apesar da idade avançada, ainda recebe propostas de trabalho. Há três meses, recusou uma oferta em uma padaria de Niterói. “A idade chega, mas o conhecimento fica com a gente”, argumenta Antonio.

A história de Márcia da Silva Monçores comprova essa tese, mostrando que nunca é tarde para recomeçar. Ela ficou 10 anos sem emprego porque cuidava da mãe, que tinha problemas de saúde e já faleceu. Aos 58 anos, não tinha expectativa de voltar ao mercado de trabalho. Mas foi contratada há seis meses para trabalhar como auxiliar de cozinha em uma creche em Bangu. “Nem acreditava mais que fossem me contratar. Não podemos desistir nunca. Sou a prova viva de que é possível”, diz.

Segundo Edmour Saiani, especialista em gestão de atendimento e diretor da consultoria Ponto de Referência, o quadro reflete uma busca por profissionais experientes, maduros e estáveis. “Os maduros são mais estáveis e responsáveis e precisam do salário. Nem todos os jovens têm essa necessidade”, analisa Edmour.

Carlos Eduardo Pereira, coach de carreiras, concorda. “Há um comprometimento maior com a empresa. Os jovens trocam de emprego com mais facilidade”, compara. “Antes, profissional acima dos 40 era considerado velho”, analisa a professora da FGV Cristiana Goldschmidt. Mesmo em um cenário de crise no país, profissionais acima dos 50 mostram ao mercado de trabalho de que experiência ainda é fundamental.

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