Idade mínima para aposentadoria divide economistas

Especialistas defendem a necessidade de o governo fazer a Reforma da Previdência

Por O Dia

Rio - Alternativas às propostas da Reforma da Previdência foram discutidas ontem em um fórum sobre o tema promovido pelo Instituto Ibmec na Associação Comercial do Rio (ACRJ), no Centro. Todos os participantes concordaram que não se pode mais adiar as mudanças, mas divergiram quanto a adoção da idade mínima a ser proposta pelo governo.

Para o economista João Paulo dos Reis Velloso, ex-ministro do Planejamento, as reformas precisam ser feitas senão “a casa vai cair”. Para ele, o ideal seria que homens e mulheres se aposentassem aos 60 anos, cinco anos a menos do que supõe-se que o Planalto vai encaminhar.

Velloso%3A ideal seria que homens e mulheres se aposentassem aos 60 anos Agência Brasil

“Os homens se aposentam aos 55 anos e as mulheres, aos 52, ambos na média. Isso é incompatível com a expectativa de vida dos brasileiros. A sobrevida após a aposentadoria das mulheres, por exemplo, é de mais ou menos 30 anos”, diz Velloso.

Paulo Tafner, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), adverte que a ausência da idade mínima favorece parcela com renda maior. Na sua avaliação, o patamar teria que ser de 65 anos. “Um dos incentivos incorretos no modelo atual de Previdência é a questão da idade. Ela está errada. Nós nos aposentamos muito precocemente. Mas não todos”, afirma.

“Os homens pobres se aposentam, em média, com 63 anos. Quando falo em idade mínima, vai atingir o profissional liberal, os professores, os metalúrgicos. São esses grupos que não querem idade mínima”, diz Tafner.

Militares fora da proposta

O sistema previdenciário dos militares voltou à pauta ontem durante reunião da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, da Câmara. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, reafirmou que a Reforma Previdenciária no âmbito das Forças Armadas deve ser discutida após a dos servidores civis e do INSS. Ele informou ainda que o reajuste dos militares será enviado ao Congresso em 2017.

O comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, garantiu que os militares vão contribuir com a reforma, mas destacou que é preciso avaliar as especificidades das Forças Armadas.

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