Gilberto Braga: Quando o idoso é mal tratado pela família

O mais grave nessa história é que os agressores, em 55% (dados oficiais) dos casos, são da própria família

Por O Dia

Rio - Uma propaganda de um banco com duas senhoras na TV faz o maior sucesso. Ao mesmo tempo, ainda que de forma inversa, nos leva a refletir sobre tema que supostamente passa desapercebido. Refiro-me à violência contra o idoso no Brasil.

Além da falta de respeito nos transportes coletivos, no trânsito e até em caminhar na calçada, mais ainda do que a violência física nos assaltos e está a agressão dos familiares.

Um fenômeno novo é a longevidade da população que está vivendo mais, devido a melhora na qualidade de vida. Muitas dessas pessoas tem bens e rendas que são cobiçadas pelos mais jovens. O mais grave nessa história é que os agressores, em 55% (dados oficiais) dos casos, são da própria família.

Normalmente aposentada e, em boa dose, sem domínio dos recursos de operações pelo computador e de detalhes das operações financeiras, a renda do idoso vira alvo dos filhos e agregados. Depois de se apossarem da renda, entra na mira dos abutres familiar a capacidade de endividamento do aposentado, que é obrigado a fazer empréstimos consignados em série para socorrer os mais novos.

O tema recebe pouca atenção das autoridades e dos demais familiares, que fazem vista grossa. É preciso ter atenção com a terceira idade, dar orientação financeira adequada e impedir que seja passada para trás pela própria família.

Viver mais anos é uma conquista da sociedade moderna, mas além dos hábitos saudáveis para a manutenção da saúde física, é preciso cuidar também da saúde financeira. De um lado, para que não se torne dependente e um fardo para os mais novos e de outro, para que o seu dinheiro juntado numa vida inteira de trabalho duro não vire alvo da cobiça dos chantagistas familiares.

Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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