Por thiago.antunes
Rio - Em tempos de crise, desemprego em alta e falta de dinheiro para pagar as contas, o penhor de joias da Caixa Econômica Federal pode ser alternativa mais em conta do que se endividar com os juros elevados de empréstimos em bancos e financeiras.
As taxas cobradas pela Caixa na avaliação do objeto que será dado como garantia no empréstimo estão na casa de 2,1% ao mês. Já o consignado tem juros que vão de 1,89% a 2,38% ao mês, enquanto os empréstimos pessoais ficam, em média, em 6,27% ao mês. Financeiras cobram taxas médias de 8,14% ao mês.

O DIA pediu ao especialista em finanças Gilberto Braga para fazer uma análise das taxas praticadas no mercado tendo como base quem pega R$ 1 mil para pagar em 12 vezes. No empréstimo consignado, por exemplo, o cliente terá desembolsado no final do contrato R$ 1.284,43 (1,89%) ou R$1.358,73 (2,38%). Quem pensa em fazer empréstimo pessoal em bancos privados ou públicos paga juro médio de 6,27%. Neste caso, os R$ 1 mil mais que dobram: o valor final vai a R$ 2.115,36.

Tia Melinha faz doces e salgados por encomenda e com o dinheiro do penhor fará curso de especializaçãoLuiz Ackermann / Agência O Dia

Ao optar por uma financeira, o consumidor paga taxa em torno de 8,14%. No fim do contrato de empréstimo terá desembolsado R$ 2.603,16. No caso do penhor, o consumidor que conseguir R$ 1 mil na avaliação do bem vai pagar R$1.315,34. O pagamento à Caixa pode ser feito mensalmente (de 30 dias a 60 meses) ou a cada seis meses (180 dias), que é a opção mais escolhida, informa o especialista.

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Mas o que pode ir para o prego? Joias em ouro — como alianças, correntinhas, brincos ou braceletes —, pedras preciosas, relógios e canetas, por exemplo. A Caixa empresta de 10% a 85% do valor da avaliação, que é feita na hora por um técnico especializado. Não há limite para esse tipo de operação e o empréstimo é liberado na hora, sem precisar comprovar renda ou passar por análise dos serviços de proteção ao crédito.
O cliente pode levar o dinheiro ou, no caso de correntista da Caixa, é feito depósito em conta. Dependendo do relacionamento com o banco e se tiver feito outros penhores e pago na data correta, o valor desembolsado pode chegar a 100% do valor do objeto.
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Dá para renovar o penhor quantas vezes o cliente quiser. Mas ao colocar uma joia no prego, é preciso ter atenção às datas. Depois de 30 dias de atraso no pagamento, a peça vai à leilão.  “O risco que o cliente corre é esquecer de pagar, ou pelo menos renovar o penhor, para não perder a joia”, alerta Gilberto Braga. 
Ele pondera que normalmente o objeto tem valor sentimental e a perda para a pessoa ultrapassa o aspecto monetário. “Outro ponto a ser levado em conta é que o penhor não paga o feitio da joia, somente o peso do metal. Então, se perder o bem, perde dinheiro também”, adverte.
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Desempregada, Amélia Maria Mayo, ou Tia Melinha, como é conhecida no Bairro de Fátima, no Centro, recorreu ao penhor na agência da Caixa na Avenida Chile para pagar contas e, com o que sobrar, fazer um cursinho.
“O mercado está difícil e penhorar as joias vai permitir que eu possa fazer curso na minha área para ganhar mais clientes”, conta Tia Melinha, que faz bolos e salgados por encomenda e garantir seu sustento.
Lima trabalha no penhor há 16 anos%3A ouro é o que mais vai para o ‘prego’Luiz Ackermann / Agência O Dia

O superintendente regional da Caixa, Arnaldo Barcellos Neto, tranquiliza o cliente que precisa fazer penhor. “O setor é destacado e reservado na agência. O cliente tem total privacidade”, informa.

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No Município do Rio existem 53 agências da Caixa que trabalham com esse tipo de operação. Em todo estado são 80, diz Barcellos Neto. Quem quiser saber onde estão as agências com penhor e obter mais informações basta acessar o link http://zip.net/bptyBG.
Procura por modalidade subiu 10% em outubro deste ano
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Colocar uma joia no prego tem sido cada vez mais a saída para muitas pessoas. Em 2016, a Caixa fechou 1,35 milhão de contratos, contando com renovações e contratações, fazendo um total de R$ 2,1 bilhões até outubro, alta de de 10,1 % se comparado a igual período do ano anterior, que teve 1,3 milhão de contratos, totalizando R$ 1,9 bilhão.
“Como a taxa de juros é de 2,1% ao mês e o empréstimo não faz tantas exigências, o penhor é uma opção fácil”, diz Arnaldo Barcellos Neto, superintendente regional da Caixa. “Os objetos que mais são empenhados são aneis, alianças, braceletes, cordões, correntinhas e, em alguns casos, pedras preciosas”, enumera.
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A avaliação segue o método tradicional e é feita por um profissional que leva em consideração fatores como designe, estado de conservação, teor e tipo de metal. Nas pedras preciosas também são consideradas cor, pureza, lapidação e peso.
Funcionário da Caixa há 27 anos, Alex Lima, 58, é avalista há 16. Ele conta que algumas pessoas optam pelo penhor não só para garantir dinheiro extra, mas para deixar as peças em local seguro.
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Objetos de ouro são os que mais têm entrada no penhor. “Existem alguns parâmetros a serem levados em conta, como a pureza do material, por exemplo”, diz. Ourives desde antes de ser bancário, o avalista contou ao DIA que o ouro puro, “aquele da tabela periódica”, é “mole” e não como vemos em aneis.
Ele explica:“Nos filmes de faroeste quando algo é pago em moedas de ouro vocês lembram que elas são mordidas?”, pergunta. “Pois bem, se a moeda não ficasse marcada era sinal de que o ouro estava misturado. Para ter valor deveria ficar marcado”, diz o funcionário da Caixa.
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Tipos de crédito
- Penhor na Caixa
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Os juros cobrados pela Caixa são de 2,1% ao ano. O prazo de pagamento do penhor varia de 30 a 180 dias, que é o mais utilizado. Caso o bem seja avaliado em R$ 1 mil, o cliente que fizer o resgate em 30 dias desembolsará R$ 1.315,34.

- Consignado
As taxas desse tipo de empréstimo costumam ser a mais baixas do mercado por ser descontado no contracheque. Os juros variam de acordo com o banco e ficam de 1,89% a 2,38% ao mês. Quem pegar R$ 1 mil para pagar em 12 meses, desembolsará R$1.284,43 ou R$1.358,73, respectivamente.
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- Empréstimo pessoal
O cliente que fizer empréstimo pessoal em bancos privados ou públicos vai pagar juros médios mensais de 6,27%. Neste caso, os R$ 1 mil de crédito mais que dobram ao final de 12 meses. O valor fica em R$ 2.115,36.
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- Em financeiras
Para quem opta por fazer a operação com financeiras, as taxas de juros ficam em torno de 8,14% ao mês. A mais alta de acordo com levantamento do especialista em finanças Gilberto Braga. Ao término do contrato de 12 meses, o cliente terá pago R$ 2.603,16 ao agente financeiro.