Por luana.benedito

Rio - A melodia do disco de vinil compõe uma imagem nostálgica. E em descompasso com a evolução do mercado que movimenta uma indústria bilionária. A música está no aplicativo do celular. Nos games. Na indústria cinematográfica. Nos espetáculos musicais. Na moda, na publicidade, na telenovela. E ainda é movimentada por um mercado audiovisual apoiado numa tecnologia em constante crescimento. E em busca de novos negócios. Nesse universo, cerca de 300 pessoas ligadas ao ramo de todo o mundo se reúnem para a quarta edição do Rio Music Buzz, evento em parceria entre o Sebrae-RJ e a Associação Brasileira da Música Independente (ABMI), que reúne gravadoras, editores, sociedade de direitos autorais e empresários artísticos.

Só no Rio, existem 10 mil empresas ligadas à música, responsáveis pela contratação de 90 mil profissionais. Mas o cenário é bem mais abrangente. O Mapeamento da Indústria Criativa do Brasil, estudo feito pela Firjan de 2003 a 2014, constatou um crescimento de 69,8% no PIB da indústria criativa no país. É quase o dobro dos 36,4% do PIB nacional. Nesse período, foram constituídas 251 mil empresas, movimentando R$ 126 bilhões. Ainda de acordo com o levantamento, o salário médio do segmento é o triplo da média nacional, chegando a R$ 5,4 mil.

E o potencial de crescimento continua em alta, em meio ao vertiginoso surgimento de tecnologias de ponta, com atualização de plataformas de distribuição digital e novas formas de comercialização pela internet. A edição deste ano do Rio Music Buzz abre a possibilidade de negócios com empresas de outros países em rodadas de negócios. São empresários do mercado interessados na música brasileira. “As novas tecnologias impactam na geração de renda, na perspectiva de negócios e na empregabilidade. A música brasileira e o segmento da indústria audiovisual têm grande perspectiva de crescimento no mercado internacional”, projeta Heliana Marinho, coordenadora de economia criativa do Sebrae-RJ.

Heliana diz que o cenário é positivo também para quem trabalha no setor, mesmo em tempos de crise. “Antes, era só o produtor, o artista e a casa de shows. Temos o audiovisual, a sincronização com trilhas sonoras, o mercado de distribuição digital, a venda do produto para filmes e propagandas. São novos mercados que sistematicamente são ampliados. E o salário é bem acima da média se comparado com outros setores. São profissionais que necessitam de um tipo de formação adquirido na própria prática da produção. Essa prática se modifica de acordo com as mudanças no mercado. É uma cadeia produtiva que recebe estímulos e se moderniza rapidamente. Aí, surgem novas necessidades de especialização e de trabalho nesse mercado”, analisa.
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Carlos Mills, empresário do setor de música da ABMI, reforça o poder das novas mídias, que minimizam o impacto das tendências antes ditadas pelas rádios. “O ‘blockbuster’ sempre vai existir. Mas as as novas plataformas abrem o mercado. Isso diversifica um mercado, onde há aplicativos como Spotify, Google Play, Youtube”, enumera, citando um setor em crescimento, atribuído às vendas digitais. “Agora, as empresas precisam de marketing, técnico em informática, especialista em mídia social, analistas de sistemas e curadores. Os tempos mudaram”, avalia, com a certeza de quem está num mercado onde a música e a tecnologia têm uma fina sintonia.
Programação
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Terça-feira
14h - Rodada de negócios com a presença de empresários estrangeiros e mesa temática sobre conteúdo e plataformas digitais
16h30 - Festivais internacionais
Quarta-feira
11h - Rodada de negócios com a presença de empresários estrangeiros e painel sobre exportação de música
14h - Oportunidade de Negócio e mesa temática sobre prêmios de música
16h30 - Um painel do tempo: do vinil aos dias atuais
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Serviço
O Rio Music Buzz será sediado no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), na Praça Tiradentes, 69 - Centro. Inscrições no site sympla.com.br
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