Guardar e investir: dicas para quem vai aposentar

Especialistas mostram como diminuir impacto com perda de salário da ativa

Por O Dia

Rio - Circulam nas redes sociais piadas relacionadas a Reforma da Previdência que está em tramitação na Câmara. Uma delas diz que a sigla do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) quer dizer Isso Nunca Será Suficiente. Brincadeiras à parte, o sonho da aposentadoria de muita gente será postergado se a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287 for aprovada. 

Enviada ao Congresso, a proposta do governo estabelece um mínimo de 25 anos de contribuição e de 65 anos para se aposentar. Pelas novas regras, o segurado só receberá o valor integral do benefício, que não pode passar de R$ 5.189,82 que é o teto da Previdência, somente após 49 anos de contribuição.

Para quem teme não completar esse quase meio século de trabalho, caso o pacote seja aprovado, e ficar com uma aposentadoria bem mais baixa do que o salário recebido em atividade, especialistas dão duas dicas para o segurado organizar suas finanças para complementar o benefício do INSS.

O primeiro parece óbvio, mas não é seguido por muita gente: comece a guardar dinheiro agora. Quanto mais cedo você começar, mais terá aos 65 anos, idade em que poderá receber a aposentadoria. O segundo é: faça um investimento de longo prazo, segundo eles, dinheiro parado não rende.

Para os jovens que moram com os pais e não têm filhos, a professora Myrian Lund, da Fundação Getulio Vargas (FGV), aconselha a guardar 30% do que ganhar. São 10% para emergências, 10% para a previdência, 10% para os sonhos (viagens, cursos no exterior). “Dessa forma, eles sempre vão ter uma vida legal e podem se aposentar com o que ganham hoje”, diz Myrian.

“Se tem dinheiro guardado, não o deixe parado. Não são necessários milhões de reais. Há investimentos a partir de R$ 10”, diz o educador financeiro, Alexandre Prado. A ideia é colocar seu dinheiro em vários lugares, como nos títulos do Tesouro Direto ou em fundos de investimento. Apesar de sua popularidade, a poupança não é a mais recomendada. Isso porque seu rendimento fica muito próximo da inflação medida pelo IPCA. Nos últimos 12 meses, os números ficaram em 8,3% e 6,99%, respectivamente. Uma opção é o Tesouro Direto, programa que vende títulos públicos federais pela internet. A rentabilidade dos títulos pode chegar a 14% ao ano.

É possível escolher entre títulos pré-fixados (você sabe o percentual de remuneração ao aplicar: hoje em 12%) e pós-fixados (vão seguir a evolução de um indicador e você não sabe o quanto renderão). Os últimos podem estar atrelados à Selic ou ao IPCA. Eles podem ser reSgatados depois de um período pré-determinado. 

Atenção ao contratar plano privado

Apesar de ser o plano B de muitos brasileiros, a previdência privada é considerada cara e pouco rentável. Segundo especialistas, a contratação precisa ser feita com cuidado, porque pode incluir taxas altas. Um dos pontos positivos é a facilidade de escolher o tamanho e periodicidade da contribuição: R$ 100 por mês ou por ano, por exemplo. Diferentemente do INSS, não há um mínimo pré-estabelecido e o valor pode sair automaticamente da sua conta.

Entre as questões problemáticas estão as taxas, normalmente mais altas nos bancos do que nas corretoras. Preste atenção nas taxas antes de escolher um plano. As empresas costumam cobrar duas: uma de carregamento (sobre cada aporte) e outra de administração (anual). Ambas afetam quanto você vai receber no final. Se um cliente aplica R$ 100 por mês e a taxa de carregamento for de 5%, apenas R$ 95 vão para a previdência. Planos diferentes costumam ter taxas diferentes, mas a média fica entre 4% e 5%. Taxas acima de 1% são consideradas altas.

O rendimento da previdência privada também não é dos melhores. Ele depende da carteira de investimentos feitos pelo fundo — é assim que ele ganha dinheiro e repassa para seus participantes.

Segundo o consultor Alexandre Prado, a remuneração anual está entre 7% a 9%, pouco acima da poupança.

Ele alerta que, por causa do envelhecimento da população, algumas instituições já estão tirando a opção de renda vitalícia. O mais comum é que o pagamento ocorra por dez, 15 ou 30. 

Aposentadoria em outros países


DINAMARCA
O sistema de aposentadoria da Dinamarca, considerado por especialistas como um dos melhores do mundo, combina benefícios pagos pelo Estado com sistemas de previdência obrigatórios entre empresas e funcionários no setor privado, e ainda planos individuais voluntários. No país, não há tempo mínimo de contribuição, mas o valor do benefício leva em conta os anos de pagamento no mercado de trabalho. A idade mínima da aposentadoria básica de caráter universal crescerá do atual patamar de 65 anos para 67 anos entre 2024 e 2027 ao ritmo de seis meses por ano.

ESTADOS UNIDOS
Segundo dados da Administração de Seguridade Social do país, até 2014, a idade para aposentadoria para quem nasceu após 1955 era de 66 anos, para homens e mulheres. A partir de 2015, sobe em dois meses ao ano até alcançar 67 anos. Nos EUA, é possível antecipar a aposentadoria para os 62 anos, mas com desconto do valor a ser recebido. Ou, ainda, adiar até os 70 anos, nesse caso com acréscimo no benefício.

CANADÁ
Assim como no Brasil, o Canadá adota um teto para o benefício pago na aposentadoria. No país, o plano de previdência do governo exige contribuição durante 35 anos e o trabalhador tem direito ao valor máximo do benefício a partir dos 65 anos de idade. Quem se aposenta antes, com no mínimo 60 anos recebe menos. Já quem se afasta mais tarde, com idade avançada, recebe abono de permanência, o chamado Old Age Security.

ESPANHA
O país aprovou o aumento da idade legal de aposentadoria de 65 anos para 67 anos, com a transição sendo feita entre 2013 e 2027. No país, é possível se aposentar com 35 anos de contribuição e 65 anos de idade e continuar trabalhando, recebendo metade da aposentadoria. Essa modalidade é chamada aposentadoria ativa. Antes, os empregados tinham que escolher entre o emprego ou a aposentadoria.

COLÔMBIA
A idade legal para aposentadoria subiu de 60 para 62 anos para homens e de 55 para 57 anos para mulheres. O tempo de contribuição aumentou de 1.050 semanas, em 2005, para 1.300 semanas em 2015, ou seja, 25 semanas por ano.

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