Por thiago.antunes

Rio - Este verão está terrível, com as temperaturas batendo recordes e o consumo de eletricidade — com o uso quase ininterrupto do ar condicionado — atingirá níveis que sobrecarregarão o sistema de distribuição nas mais diversas regiões das cidades.

O resultado é a ocorrência de quedas de energia em qualquer hora do dia ou da noite. Pouca gente sabe, porém, que parte desse aumento de consumo provocado por ligações irregulares, sequer pode ser previsto pelas companhias elétricas.

Sem saber quantos consumidores estão ligados no sistema, qual a carga de energia que demandam, que perfil têm, as empresas possuem enorme dificuldade de adequar suas operações à real necessidade do mercado que atendem. Faltam informações para planejar a compra de energia e os investimentos nos sistemas de distribuição das cidades. 

Mais de 20% da energia consumida no Rio transita por ligações clandestinasDivulgação

O Rio de Janeiro é o estado que mais sofre com esse problema. Mais de 20% da energia consumida transita por ligações clandestinas, os famosos ‘gatos’. O volume é suficiente para abastecer o Espírito Santo.

Além disso, essas ligações irregularidades representam um perigo à vida. No Brasil, desde 2001, mais de 500 pessoas morreram fazendo ligações clandestinas. Outras tantas em incêndios causados por curtos-circuitos em instalações precárias.

As irregularidades também fazem com que a energia fique mais cara para todos os consumidores. Isso acontece porque as tarifas são revisadas periodicamente para se definir a receita suficiente para cobrir os custos das distribuidoras e garantir os investimentos no setor. Assim, aqueles que não pagam, acabam prejudicando os acionistas das empresas e pesando no bolso dos consumidores que pagam a conta.

Todo esse quadro mostra como as ligações irregulares tornam o sistema pouco sustentável e prejudicam o conjunto de consumidores, especialmente os que agem corretamente.

Em nosso estado, se pudéssemos reduzir as irregularidades e tornar mais civilizado o mercado de energia, reduzindo os problemas provocados pelas ligações clandestinas, poderíamos ter uma queda significativa da conta de luz e dos problemas de interrupção.

Sérgio Malta é presidente do Conselho de Energia da Firjan

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