Aposentadoria: Especialistas orientam o que fazer para não perder com a reforma

Planejamento financeiro, previdência privada ou começar a contribuir cedo para a Previdência podem ser saídas para reforçar o orçamento

Por O Dia

Rio - Com a Reforma da Previdência, que prevê a implantação de idade mínima de 65 anos para homens e mulheres poderem se aposentar pelo INSS, o brasileiro vai ter que trabalhar mais tempo. E agora mais do que nunca será preciso se planejar para que não tenha tanta perda no padrão de vida. Mas essa preocupação não norteia o pensamento dos trabalhadores. Segundo estudo do Banco Mundial, de cada 100 pessoas, somente quatro se preparam para a aposentadoria no país. Mas o que fazer para ter um futuro tranquilo ao parar de trabalhar? 

Cortar despesas supérfluas e controlar gastos ao longo dos anos são as principais dicas de especialistas. Guardar pelo menos 10% do salário na poupança é uma das alternativas apontadas por Denis Ferreira, consultor financeiro, para garantir um dinheiro a mais após o INSS conceder o benefício. “O ideal é que o trabalhador veja esses 10% como despesa e não use de forma alguma”, diz.

Segundo estudo do Banco Mundial%2C de cada 100 pessoas%2C somente quatro se preparam para a aposentadoriaDivulgação

E a melhor forma de aplicar o percentual para quem ganha até três salários mínimos (R$ 2.811) é na poupança, orienta o especialista.

Planejamento financeiro, plano de previdência privada ou começar a contribuir cedo para a Previdência podem ser saídas para reforçar o orçamento, diz Alexandre Prado, consultor financeiro.

Pensando no futuro, a corretora de imóveis, Isabela Costa, 31 anos, resolveu investir em um plano de previdência privada. “Há cinco anos fiz um plano para complementar minha renda para quando chegar o momento de me aposentar”, afirma.

Dinheiro na velhice Arte O Dia

A corretora está preocupada com as propostas da Reforma da Previdência e teme não conseguir se aposentar pelo INSS. “Trabalho há pouco tempo com carteira assinada e agora com essa mudança das regras nem sei se conseguirei me aposentar”, afirma, referindo-se ao aumento do tempo de contribuição.

A precaução de Isabela ao fazer o plano de previdência tem motivos. Segundo Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educação Financeira (Abefin), a alternativa no momento é tentar se precaver e projetar uma aposentadoria sustentável sem depender do governo.

“Quanto mais cedo começar a poupar, mais agressiva pode ser a estratégia. Quem está na casa dos 20 anos pode fazer reserva de emergência entre seis a 12 meses de salário”, recomenda. “Para não ter sustos, o poupador deve acumular um capital que renda o dobro do que ele precisa. Vamos supor que você ganhe salário de R$ 4 mil e terá uma aposentadoria pública de R$ 2 mil. Se a previdência complementar paga apenas R$ 2 mil por mês, um dia o dinheiro vai acabar. Mas, se os investimentos renderem R$4 mil, você saca metade e deixa a outra metade rendendo. Assim, o dinheiro se recapitaliza e se preserva”, ensina Reinaldo Domingos.

Contribuir desde cedo

A falta de planejamento e despreocupação com as novas regras da Previdência Social deveriam acender um sinal de alerta para os trabalhadores, principalmente aqueles que estão entrando agora no mercado de trabalho. A afirmação é de Herbert Alencar, presidente da Comissão de Direito Previdenciário da OAB/Barra.

Para o advogado, o motivo é que todos os trabalhadores ativos entrarão no novo sistema. Os que têm menos de 50 anos (homens) ou 45 (mulheres) deverão obedecer às novas regras integralmente. Já quem possui mais de 50 anos terá que pagar “pedágio” de 50% sobre o tempo que falta para aposentar.

“Para quem falta cinco anos para dar entrada na aposentadoria, por exemplo, serão acrescidos dois anos e meio. Ou seja, a pessoa terá que trabalhar sete anos e meio e não mais cinco para pedir o benefício”, explica.

De acordo com ele, aplicar em poupança, fazer um plano de previdência privada ou investir o dinheiro são alternativas para quando chegar o tempo da aposentadoria não ter um benefício tão abaixo do salário recebido em atividade.

Pelas regras que serão votada pelo Congresso, homens e mulheres vão precisam atingir idade mínima de 65 anos e ter pelo menos 25 de contribuição para aposentar.

Neste caso, receberão 76% do valor da aposentadoria — que corresponderá a 51% da média dos salários de contribuição, acrescidos de um ponto percentual desta média para cada ano de recolhimento. “Fará o benefício cair muito”, diz Alencar.

Conscientização deve começar nas escolas

A conscientização dos jovens sobre a importância da Previdência Social é um ponto destacado pelo presidente da Comissão Previdenciária da OAB/Barra, Herbert Alencar, como forma de criar uma nova cultura no país. “A educação previdenciária deve ser apresentada aos jovens já no Ensino Fundamental levando à consciência sobre a necessidade de poupança e expectativa de eventuais infortúnios”, diz. “Mas é justamente o inverso que acontece”, lamenta.

Poucos são os que poupam e investem, diz Denis Ferreira, especialista em Educação Financeira e Economia. “Os brasileiros, em sua maioria, tendem a gastar mais do que recebem, não restando recursos para investir”, alerta. “Infelizmente vivemos em um país em que o ato de poupar e a prática de investir são feitos por poucos. Para comprovar, a participação do número de pessoas que investem na Bovespa é de apenas 11,9% do total do volume operado. No exterior esse número chega a 51,1%”, exemplifica Ferreira.

Quase metade é contra a reforma

Pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) indica que 47% dos brasileiros reprovam a Reforma da Previdência. Apesar de quase metade ser contra as propostas, 60% deste total admitem não ter mudado sua maneira de agir com relação à aposentadoria, especialmente por não terem refletido sobre o assunto (28%).

Entre os 40% que alteraram o modo de pensar, o aumento da importância do planejamento da aposentadoria é a principal mudança (20%), principalmente entre os entrevistados das classes A e B. Entre os que desaprovam a reforma, 28% dizem que depois de tantos anos trabalhando a pessoa merece se aposentar cedo e ter um tempo de descanso e 25% são contrários porque a proposta discutida vai prejudicar quem já trabalhou mais de 30 anos.

Embora a maioria (95%) reconheça que devem pensar na aposentadoria, 38% afirmam que não se preparam para o momento de parar de trabalhar; sendo a principal justificativa o fato de nunca sobrar dinheiro (34%), seguida da alegação de ser muito cedo para pensar no assunto (20% com aumento para 27% entre os homens) e 16% não sabem como fazer.

No total, 95% de entrevistados acreditam ser importante se preocupar com a aposentadoria. O argumento mais mencionado é o fato de que se não ligarem para o futuro, terão que depender de terceiros na velhice (32%). Outros 21% afirmam que o padrão de vida pode cair caso não se preocupem. Cerca de 55% fazem reservas ou investimentos com foco na aposentadoria por mês, principalmente os entrevistados das classes C, D e E, sendo a média anual equivalente a dez meses.

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