Por bianca.lobianco
Publicado 04/02/2017 19:06 | Atualizado 04/02/2017 19:07

Rio - O dinheiro sofre dois tipos de “câncer”: um se chama inflação; outro se chama dívida. Inflação é uma doença espalhada pelo governo (pouco podemos fazer). Dívida é uma doença contraída pelo indivíduo (a quem cabe evitá-la). Os que me acompanham aqui ou na rádio já devem ter entendido que, para este jornalista, o melhor remédio ou investimento é pagar dívida, quitar dívida ou eliminar dívida. Isso porque, quando se tem dívida, você trabalha para os juros (em vez de os juros trabalharem para você). Quem aprende essa lição consegue se livrar de mais da metade das dores e dos males financeiros que atormentam os orçamentos pessoais ou profissionais.

FGTS E CARTÕES DE CRÉDITO

Daí que, de onde menos se esperava, saíram duas boas ideias e oportunidades. Ao anunciar novidades no FGTS e nos cartões de crédito, o governo dá a milhões de brasileiros endividados novas chances de limpar seus nomes, retomar o consumo e, se não for pedir demais, reativar a economia. É um bom plano, elaborado por gente grande. Mas, se vai dar certo, num país que ainda engatinha no chão de escola da educação financeira, é outra história. O fato é que as condições estão sendo dadas ou estudadas.

No caso do FGTS, para quem tiver dinheiro em contas inativas, a decisão do governo, até aqui, é liberar todo o saldo, por inteiro; isto é: não haverá limite de retirada. No caso dos cartões de crédito, Fazenda e Planejamento fizeram muito bem em limitar a um mês o uso do rotativo — uma espécie de “roleta russa invertida”, onde o cliente começa apontando a arma para a cabeça com apenas uma bala, mas vai aumentando a munição até chegar a seis balas!

Pela nova regra, quando o cliente entrar no rotativo, depois de 30 dias o banco já terá que oferecer a ele um parcelamento do saldo devedor com juros menores. Se o suicida... ou melhor... se o sujeito não aceitar o parcelamento, ou não optar por fazer o pagamento à vista, ele ficará inadimplente — correndo o risco de não poder usar o cartão. Nos dois casos, para evitar mortos e feridos, o melhor é pegar e pagar. 

QUANDO TODO MUNDO ENDIVIDA TODO MUNDO

É grande o risco de a pessoa se tornar “portadora” de dois, três ou mais cartões de crédito prontos para ser disparados na loja ou na própria cabeça.

A partir do quarto plástico — mesmo para quem pode e acha que ninguém tem nada com isso — é caso de internação visando a tratamento de compulsão autodestrutiva ou de degeneração similar a dependência química.

Essas pessoas estão transformando esses cartões em “seringas” de crédito familiar ou ação entre amigos, onde todo mundo se endivida, todo mundo endivida todo mundo e todo mundo acaba espalhando inadimplência familiar ou doença entre amigos. 

A REABILITAÇÃO E O ‘PODER DE CONSUMIDOR’

Quem estiver interessado numa reabilitação anticonsumista deve conhecer os cuidados oferecidos pelo site www.abecs.org.br/tarifas-do-cartao. 

A iniciativa é da Abecs, a associação do setor, destinada a orientar as decisões dos clientes levando em conta suas reais necessidades. O serviço lista as principais instituições, com informações sobre custos, encargos, formas de pagamento, cobranças de anuidade, ou não, e possibilidades de comparações.

Esse é “o caminho, a verdade e a vida” para quem busca se curar da “síndrome do chip” patologia que causa endividamento crônico e falência múltipla dos orçamentos. Em vez do doentio “poder consumidor”, melhor praticar o saudável “poder de consumidor”, capaz de fazer valer o dinheiro e deixar claro quem manda em quem. 

O PLÁSTICO MÁGICO E O AGIOTA DA ESQUINA

A prova da imensa sedução do cartão de crédito é que 2015 foi marcado como o primeiro ano em que esse mercado atingiu a incrível marca de R$ 1 trilhão em movimentações financeiras. Esse volume será para sempre uma referência nos registros da Abecs. Atualmente, o mercado já supera as barreiras da luz, do som e dos 10 bilhões de transações. Por tudo isso é importante evitar que o plástico mágico se torne uma das mais insanas opções de financiamento já inventadas pela raça humana — só tolerável se a alternativa for o agiota da esquina (nada ou ninguém é pior do que o agiota da esquina).

Bom Domingo & Boa Sorte!


*Alex Campos é comentarista do Painel Econômico da Rádio JBFM (99,9)

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