Alex Campos: facilidade, só com responsabilidade

Essa nova decisão envolvendo o FGTS e o crédito consignado é muito positiva, mas exige cuidado, cautela e prevenção

Por O Dia

Rio - Essa nova decisão envolvendo o FGTS e o crédito consignado (que já estava prevista na lei 13.313/2016) é muito positiva, mas exige cuidado, cautela e prevenção. A princípio, ela mostra que o governo federal se apaixonou pela ideia de liberar aos trabalhadores o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Isso é bom porque o dinheiro é mesmo dos trabalhadores — embora, nos últimos 13 anos, só tivesse ficado disponível a companheiros, empreiteiros e banqueiros (via supostos cursinhos sindicais, supostos projetos habitacionais e supostos programas de infraestrutura).

FUNDO DE GARANTIA DO CONSIGNADO

Agora o Fundo também pode ser usado como Garantia para o consignado — conhecido pelos juros mais baixos, descontos na folha de pagamento e prazos de quitação que vão até quatro anos (48 meses). Trata-se de mais uma medida para baratear o crédito aos consumidores. No consignado, as taxas não passam de 3,5% ao mês — em geral, a metade do que se cobra em outros empréstimos. Os valores dos financiamentos vão depender do saldo dos trabalhadores na conta do FGTS. Eles poderão dar como garantia até 10% do que tiver no Fundo e ainda o total da multa de 40% em caso de demissão sem justa causa. Esses serão os valores que, pelas regras, poderão ser retidos pelos bancos.

Mas vale lembrar o seguinte: o objetivo do governo é permitir que milhões de pessoas paguem suas dívidas, não é intenção do governo que milhões de pessoas façam mais dívidas. Afinal, quando se trata de dinheiro, o mínimo de facilidade exige o máximo de responsabilidade — quanto mais facilidade, maior a responsabilidade. Não existe dinheiro fácil, assim como não existe vida fácil... não tá fácil pra ninguém.

ONDA DE IMPACTOS POSITIVOS

A paixão à primeira vista pelo FGTS surgiu quando o governo teve a ideia de liberar o saldo das contas inativas. A notícia causou uma onda de impactos positivos que serão sentidos até, pelo menos, 31 de julho, data final do calendário de pagamentos aos trabalhadores. Trata-se de quase 50 milhões de contas inativas, com saldo total superior a R$ 40 bilhões. Os saques vão beneficiar cerca de 30 milhões de trabalhadores que pediram demissão ou foram demitidos até 31 de dezembro de 2015.

TÁTICA DE PEQUENAS BOAS NOTÍCIAS

Vendo que aquilo era bom... a equipe econômica e o marketing político do governo passaram a fatiar a grande boa notícia em pequenas boas notícias. Fez parte dessa estratégia a antecipação, para ontem (em vez de amanhã), da segunda rodada de depósitos e transferências de saldos do FGTS. Essa nova etapa favoreceu os nascidos em março, abril e maio. Pelas contas da Caixa, são 7,7 milhões de beneficiários, com direito a R$b 11,2 bilhões. No mês passado, o saque foi liberado para nascidos em janeiro e fevereiro.

VOLUME DE MAIS DE R$ 5,5 BILHÕES

Segundo a Caixa, o pagamento em dinheiro teve preferência sobre o depósito em conta: a escolha de pagamento em dinheiro foi feita por 1,91 milhão de pessoas, e a escolha de crédito na conta, por 1,62 milhão. Balanço parcial do Ministério do Trabalho mostra que o pagamento das contas inativas do FGTS já injetou na economia mais de R$ 5,5 bilhões. Quem optou por quitar e exterminar uma dívida, qualquer dívida... merece um abraço. Pague uma dívida, e receba um abraço!

Bom domingo e boa sorte!


*ALEX CAMPOS é comentarista do Painel Econômico da Rádio JBFM (99,9)

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