Por thiago.antunes

Brasília - A sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, em que o parecer do Reforma Trabalhista foi “tido” como lido pelo presidente da comissão, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) pode ser anulada. Ontem, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-RS) informou que ingressará no plenário com uma questão de ordem para anular a reunião, que foi marcada por bate-boca e confusão. 

Reunião da comissão foi marcada por bate-boca entre senadoresAlessandro Dantas / PT no Senado / Flickr

Segundo Gleisi, houve descumprimento do regimento, que não prevê esse tipo de ação do presidente da comissão. Ainda de acordo com a senadora, as atas e notas taquigráficas da sessão registraram a leitura do relatório e pedido de vista coletivo, abrindo caminho para a votação do projeto na próxima semana. Gleisi afirmou que não houve pedido de vista antes do encerramento da reunião.

“Vamos pedir diligência para apurar a fraude de registro. Ouvir o responsável pelas notas taquigráficas para saber de onde tirou aquele registro falso”, disse. Segundo Gleisi, trata-se de fraude que coloca em risco o processo democrático. Ela afirmou que o descumprimento é razão para anular a sessão da CAE.

Previdência

Em reação às incertezas políticas provocadas pelas denúncias contra o presidente Michel Temer, a equipe econômica traçou uma ofensiva para tirar o “carimbo” da crise da Reforma da Previdência e das demais medidas econômicas, segundo a agência Estadão Conteúdo.

A avaliação do Planalto é que ainda há base política para dar continuidade à agenda, mesmo que isso signifique atrasar um pouco mais a votação, como já indicou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

A estratégia é manter as negociações para a aprovação das reformas da Previdência e Trabalhista, mesmo sem definição de qual será o destino de Temer. O secretário de Previdência do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, por exemplo, disse que a PEC 287, que trata da Reforma Previdenciária, vai além das questões de governo.

A equipe econômica também corre para mandar ao Congresso projetos nas áreas de energia e de petróleo e gás, que devem ficar prontos num prazo entre 40 e 60 dias. Há uma percepção que, se Temer deixar o cargo, o próximo presidente terá o apoio da mesma base política atual e já terá prontas as medidas para serem encaminhadas ao Parlamento.

“Trabalhamos com o cenário de que Temer é o presidente da República e ele continuará. Mas temos de ir à luta independentemente do cenário político, para dar continuidade à agenda econômica”, disse um integrante da equipe econômica, em Brasília. O que mais preocupa é a Reforma da Previdência, que deve ser votada na Câmara em junho.

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