Sérgio Malta: o Acordo de Paris e a Baía de Guanabara

Se não fizermos nada e a temperatura média do planeta continuar aumentando, a altura dos oceanos pode vir a aumentar algumas dezenas de centímetros em poucas décadas

Por O Dia

Rio - O noticiário da semana destaca a decisão dos Estados Unidos de sair do Acordo de Paris. O que isso tem a ver conosco? O acordo foi ratificado por 196 países, contando com os Estados Unidos que, ao lado da China, é a principal alavanca das ações e limita o aumento da temperatura ao teto máximo de 2°C em relação aos níveis da era pré-industrial.

Se não fizermos nada e a temperatura média do planeta continuar aumentando, a altura dos oceanos pode vir a aumentar algumas dezenas de centímetros em poucas décadas, o que inundaria grande parte, por exemplo, das ribeirinhas da Baia da Guanabara, expulsando centenas de milhares de pessoas que ali vivem.

Enquanto, no meio político, o líder da maior nação do mundo vacila, uma revolução vem acontecendo nos últimos anos no meio empresarial. Líderes de grandes corporações como Google, Apple e até produtores de combustíveis fósseis, como a Exxon Mobil, têm se manifestado publicamente a favor do Acordo de Paris.

A decisão do governo norte-americano não encerra o acordo. Reabre negociações que, por natureza, são lentas e muitas vezes ultrapassam o período de um governo. Enquanto isso, essas mesmas empresas devem seguir intensificando as suas práticas para preservar o meio ambiente.

Na prática, o que a maioria já percebeu é que as medidas, além de necessárias para a sobrevivência da espécie humana no planeta, representam uma importante oportunidade de negócios. Mais que isso, no dia a dia, a maior parte dessas corporações já adota diversas medidas para conter a emissão de CO2 na atmosfera, uma das maiores vilãs do aquecimento global.

O setor energético é um dos mais importantes para enfrentar e vencer o desafio de alcançar as metas pretendidas pelo Acordo de Paris. Não podemos esquecer ainda que, nesse campo, quase tudo que se faz para atender as exigências de um país acaba sendo replicado em todos os outros.

Afinal, a maior parte dessas empresas atuam em vários países e, muitas vezes, adotam políticas operacionais e de compras globais. A luta pela preservação da espécie humana no planeta continua cada vez mais viva. 

Sérgio Malta é presidente do Conselho de Energia da Firjan

Últimas de Economia