Alex Campos: O tempo está bom para ouvir o outro

Educação Financeira também depende de uma boa Gestão de Pessoas

Por O Dia

Rio - Além de “Educação Moral, Educação Cívica e Educação Política”, assim mesmo, com letras maiúsculas (como escrevi aqui na coluna de 14 de maio), Educação Financeira também depende de uma boa Gestão de Pessoas. E uma boa Gestão de Pessoas começa por saber ouvir as pessoas, saber escutar o outro, entender o outro. E ouvir o outro foi uma bela lição que eu acabei de aprender com as consultoras Rosilene Ribeiro e Jacqueline Resch, da Resch RH, no Congresso RH Rio 2017, da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Rio).

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FORA DA CURVA E DA CAIXA
O ponto fora da curva, ou o toque fora da caixa, é que as consultoras não foram lá para falar, mas para escutar. Elas promoveram uma palestra dada pela plateia, onde a plateia foi a palestrante; ou seja, foi a plateia que compartilhou ideias diferentes e construiu o entendimento comum, o senso comum e o bom senso — alcançado com base em experiências distintas que se conectaram, se entenderam e, acima de tudo, se compreenderam. Isso não é pouca coisa, não — principalmente nesses tempos de redes sociais marcadas pela incompreensão e “incomunicabilidade”.

A plateia disse, eu ouvi e voltei cheio de palavras: “Mais entendimento, mais acolhimento e mais afeto. Mais atenção e mais interação humana. Menos interação ideológica e, sim, menos interação tecnológica. Precisamos escutar sem filtro, crítica, conceito ou julgamento precoces. Precisamos exercitar a tolerância à divergência e à diversidade. Precisamos parar para ouvir o outro... o desejo do outro, o interesse do outro, a preocupação do outro”.

Se eu escutei direito, entendi ali que não se trata apenas de se colocar no lugar do outro; se trata também de, no lugar do outro, saber ouvir. Tudo isso pode parecer óbvio, mas (como também já escrevi aqui no ano passado), o óbvio precisa ser dito, redito e repedito. Sem o óbvio, não é possível ouvir, nem descobrir, nada novo, original ou autêntico.

SOBRE BOAS PESSOAS E BONS NEGÓCIOS

A LIÇÃO E A PREGAÇÃO

A lição da plateia que dá palestra e a pregação deste colunista a favor da Educação Financeira convergem para o escritor britânico Simon Sinek: “Quem não entende de pessoas não entende de negócios”. Não por acaso, para chegar ao bom senso em relação ao dinheiro, eu insisto aqui nos bons modos em relação aos valores, princípios e sentimentos. Um dos homens mais ricos do planeta, o americano Warren Buffet, já veio nos ensinar que “não é possível fazer bons negócios com pessoas ruins” — ainda que o mundo político e o mundo corporativo venham nos mostrar que os canalhas também enriquecem.

A NOVA LÓGICA DA COMPETIÇÃO

A plateia palestrante também ensinou ao pregador dominical que o caminho mais curto para o dinheiro pode estar na economia cooperativa, colaborativa e compartilhada. A lógica da competição está mudando para a lógica da cooperação, da colaboração e do compartilhamento. Esse é o entendimento de uma nova geração de empreendedores financeiros, comerciais ou criativos. Mais do que trabalhar em conjunto, o que vale agora é “conquistar em equipe”.


COMO NUM CORO OU NUMA ORQUESTRA

Não há como “conquistar em equipe” sem diálogo — diálogo não é só falar e escutar; é compreender, ter um propósito, um objetivo. Num diálogo, como num coro ou numa orquestra, tem que haver sintonia e harmonia, envolvendo vozes ou ideias que não são as nossas. Quando todas as vozes ou ideias são ouvidas, o resultado é bom. Diálogo não é debate, onde prevalece o “discordar”. Diálogo é mais do que “concordar e pronto”. Diálogo é entender e, sobretudo, aceitar — como no entendimento do educador brasileiro Rubem Alves: “Diálogo exige humildade do outro, porque é possível que o outro veja o mundo de uma forma que nós não vemos”.

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