Alex Campos: A verdade é que todo mundo mente

Mais recente boataria digital dá conta de que 'o governo Temer está prestes a confiscar a poupança dos brasileiros'

Por O Dia

Rio - Em tempos de notícias falsas e boatarias digitais, a verdade é uma só: todo mundo mente! Muito bem-vindas do ponto de vista da inovação tecnológica e da modernização dos hábitos, costumes e comportamentos, as redes sociais trouxeram efeitos colaterais sociais que ajudam a multiplicar e potencializar a praga da desinformação. A mais recente delas (recente e reincidente) dá conta de que "o governo Temer está prestes a confiscar a poupança dos brasileiros".

Tristemente, a maioria das pessoas está diante da internet pelo mesmo motivo de quando está diante da TV: "não ter que pensar" diante de "não ter o que pensar" (ou pior: "não ter o que fazer"). Felizmente, fato é que, nas atuais circunstâncias, a possibilidade de o governo sequestrar as cadernetas é tão improvável quanto a possibilidade de alguém acertar na megassena apostando ou marcando no cartão apenas 5 números! Não por acaso, para tentar separar a razão da loucura, e a calma da histeria, aqui vão 6 "apostas", motivos ou esclarecimentos capazes de convencer qualquer ser humano de que a ideia de um confisco da poupança não passa de uma espécie de megassena da "megainsanidade".

1 - O volume e o ambiente de negócios hoje no Brasil são baseados e pautados por responsabilidades democráticas, financeiras e institucionais, de modo que não cabe mais qualquer tipo de desatino perpetrado por arrivistas, populistas ou delinquentes. A economia brasileira ficou "grande demais para quebrar" e arrastar com ela uma cadeia de negócios e uma infinidade de interesses.

2 - O confisco, o sequestro ou o congelamento de recursos do sistema financeiro de qualquer país (inclusive o Brasil) só é feito em situações extremas, sejam sociais, políticas ou econômicas. Aconteceu em 1990 porque o governo Collor combinava autismo social, narcisismo político e estupidez econômica — algo parecido com o que se vê nos Estados Unidos, onde o nosso ex-presidente impichado seria chamado de "o Trump das Alagoas".

3 - O Plano Collor foi uma coisa ingênua, amadora e provinciana, mistura de bingo de paróquia com gincana de quermesse, que sequestrou não só as cadernetas, mas também as contas correntes de todos os brasileiros. Hoje, porém, o desafio é outro, é diferente: busca-se estimular o crédito, o consumo e o crescimento, visando à retomada da atividade econômica e ao desenvolvimento estável-sustentável. Para isso, quanto mais liquidez (dinheiro disponível, dinheiro em circulação, dinheiro para investir ou gastar), melhor.

4 - Há 30 anos, o Brasil sofria a chamada hiperinflação (coisa de 70%, 80%, 90% AO MÊS) — evidentemente uma aberração, contra a qual os governos da época (primeiro Sarney, depois Collor) decidiram enfrentar apelando para outras aberrações, como a "ignorância presidencial" aconselhada pela "indigência ministerial". O que temos agora é uma inflação debilitada (abaixo de 4% AO ANO), resultado de uma recessão dilmabólica, contra a qual a solução não passa por "enxugar" liquidez, nem “enxugar” gelo, nem estocar vento.

5 - Se o atual governo estivesse realmente planejando trancar ou tomar a poupança de todo mundo, não estaria liberando cada vez mais dinheiro para a sociedade, como fez com o FGTS de contas inativas, de onde saíram R$ 44 bilhões. O mesmo governo acaba de anunciar também a distribuição de R$ 16 bilhões do PIS-Pasep para idosos e a liberação de outros R$ 20 bilhões para micro, pequenos e médios empreendedores (coisa que pode beneficiar o Zé do Açougue, o Seu Manuel da Padaria e a Dona Maria das Couves).

6 - Esse governo não goza de apoio popular, político ou econômico que permita a adoção de medidas extraordinárias, excepcionais ou excêntricas, com potencial de causar perdas e danos irreparáveis na ordem econômica, bem como distúrbios e desequilíbrios irreversíveis na ordem pública. Contribuem para essa dificuldade, os estigmas de "golpista" e "ilegítimo", que a gestão do presidente, de forma equivocada, não se preocupou em desmentir, desconstruir ou desmoralizar.

Enfim, por tudo isso, muito mais e todo o resto: poupem o Temer de mais essa temeridade e, claro, poupem seus temores.

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