Ponto de Vista: comércio irregular baixa arrecadação

É compreensível que o desempregado queira se mexer para tentar conseguir sobreviver na crise

Por O Dia

Rio - Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o desemprego no Rio ficou em 15,6% no primeiro semestre de 2017. Isso equivale a um milhão e 300 mil desempregados. No ano passado, nos seis primeiros meses, a taxa de desocupação era de 6,4%. Ou seja, o número de pessoas sem emprego era em torno de 535 mil e mais que dobrou em 12 meses.

Um dos efeitos dessa crise é a volta dos camelôs às ruas da cidade, perceptível por qualquer pessoa que circula por vários pontos, que tomaram várias áreas. Como em Bangu, Campo Grande, Copacabana, Ipanema, Centro, Metrô Rio e Supervia, que viraram terra sem dono.

Na Rua Uruguaiana, no Centro, por exemplo, não há mais espaço para se caminhar no calçadão, todo loteado, principalmente por vendedores com sotaque sul-americano de roupas falsificadas de marcas famosas.

Camisas polo, de time de futebol, shorts e acessórios para praticar ginástica dominam a preferência dos novos empreendedores. A liberdade é tanta, que ostentam até cartazes de que possuem máquinas para pagamento no cartão de débito e de crédito.

É perfeitamente compreensível que o cidadão honesto e que está desempregado queira se mexer para tentar levantar uma grana e conseguir sobreviver nesses tempos de crise. O que não se pode conceber é a omissão do poder público que faz vistas grossas a tudo isso, não organiza nem reprime toda essa situação que beira a desordem generalizada na cidade.

Some-se a isso ainda a possibilidade de que parte dos produtos roubados no setor de transporte de carga esteja sendo distribuída por essa nova rede de camelôs, principalmente, guloseimas (chocolates, biscoitos e etc.) além de eletrônicos portáteis, como celulares e acessórios, principalmente nos trens e nos vagões do metrô.

Quando o poder público reclama da falta de dinheiro e da queda da arrecadação é preciso entender que o comércio irregular, ainda que praticado por muita gente honesta, rouba clientes do comércio legalizado, que consequentemente deixa de recolher tributos aos cofres municipais e estaduais. A verdade é que já mais do que passou da hora da Prefeitura do Rio arregaçar as mangas e tomar providências. 


*Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec  e da Fundação Dom Cabral

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