Trabalhador terceirizado recebe até 9% a menos

Pesquisa contesta dados da CUT de que haverá precarização de mão de obra

Por O Dia

Rio - Os impactos da Lei de Terceirização no mercado de trabalho foram objeto de estudo pela Universidade de São Paulo (USP). E, ao contrário do que afirma o governo - que haverá melhoria na massa salarial - o que pode ser constatado no estudo é que o trabalhador de carteira assinada que passou para uma empresa terceirizada teve perda salarial média de 2,47% (pesquisa e desenvolvimento) a 5,94% (montagem e manutenção de equipamentos). Há casos em que as perdas são ainda maiores, como no telemarketing, que chega a quase 9%.

Para o estudo "Diferencial de salários da mão de obra terceirizada no Brasil", elaborado pelos pelos economistas Hélio Zylberstajn (FEA-USP), Eduardo Zylberstajn (EESP-FGV) e Guilherme Stein (Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser), foram utilizados os dados de cerca de 13 milhões de trabalhadores contidos na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, entre 2007 e 2014.

Sem precarização

Em conversa com O DIA, Zylbertsajn afirma que a terceirização não precariza as relações de trabalho, como afirmam as centrais sindicais - a Central Única dos Trabalhadores, por exemplo, avalia que a terceirização reduz os salários em 25% -, o que para o economista não é realidade. "Há uma diferença na metodologia da pesquisa", diz. Mas ele concorda que na média os salários caem de 2% a 4%. E pondera: "No caso dos vigilantes, por exemplo, há aumento de salário em 4,94%. Por outro lado, aponta, o estudo mostra que quem deixa de ser um prestador de serviço em uma empresa terceirizada e é contratado diretamente registra ganho salarial médio de 4,7%.

Não só a precarização da mão de obra como a retirada de direitos preocupam o deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ). "A experiência de diversos países já mostrou que a terceirização resulta em empregos mais precários e menores salários. Temer insistiu que aqui seria diferente. Temos, agora, os primeiros sinais de que os termos desta reforma foram equivocados. É preciso, sim, modernizar a Lei Trabalhista, mas não para retirar direitos", diz Molon.

'A experiência de diversos países já mostrou que a terceirização resulta em empregos mais precários e salários menores'%2C diz Alessandro MolonJosé Cruz / Agencia Brasil

Outro que não concorda com os dados apresentados na pesquisa, o procurador do Trabalho, Rodrigo Carelli, contesta os números. "As ideias do pesquisador não correspondem nem mesmo aos dados que ele coletou. Nos números divulgados, há um decréscimo no salário de todas as categorias pesquisadas quando o trabalhador passa a terceirizado (chegando a perda até 9% no caso do telemarketing), com exceção de uma, e aumento salarial em todas quando o trabalhador passa a ser contratado diretamente", afirma o procurador.

"De todo o modo, a pesquisa não leva em conta nem mesmo os reajustes salariais ou inflação do período, quanto mais outros benefícios negociados pelos sindicatos, analisando somente salário nominal. Portanto, a perda dos trabalhadores é bem maior, sendo a precarização, pelos dados da realidade, sem ideologia, irmã siamesa da terceirização", adverte Carelli.

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