Segurado que cair no pente-fino do INSS terá bônus

No Rio, 72 mil aposentados por invalidez vão fazer revisão

Por O Dia

Rio - Os mais de um milhão aposentados por invalidez em todo país que não fazem perícia há mais de dois anos e forem pegos pelo pente-fino do INSS poderão receber bônus do instituto por até 18 meses. No Rio de Janeiro serão chamados 72 mil segurados para agendar exame. Prevista em lei, a chamada de parcela de recuperação é paga conforme o tempo em que o segurado ficou afastado e o vínculo de emprego antes da incapacidade.

No caso de quem recebeu o benefício por mais de cinco anos, o bônus é pago por 18 meses. Para verificar por quanto tempo foi pago o benefício por incapacidade, o INSS conta desde a concessão do auxílio-doença que gerou a aposentadoria. O valor do benefício é a média das 80% maiores contribuições do segurado desde julho de 1994 (início do Plano Real), multiplicada pelo fator de 100% do salário do benefício.

Convocados pelo INSS para passar por perícia médica devem agendar atendimento pela Central 135Divulgação

A parcela vai diminuindo progressivamente por seis meses até o corte definitivo. No primeiro semestre, o segurado receberá o mesmo valor pago na aposentadoria. Nos seis meses seguintes, o bônus será de 50% e no último semestre, de 25%.

"O pagamento só vale para o aposentado por invalidez. Caso o segurado tenha recebido apenas auxílio-doença neste período, não terá direito ao abono", diz Adriane Bramante, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP).

A especialista acrescenta que o bônus é devido mesmo que o ex-aposentado volte ao trabalho. "Os segurados recebem por seis meses 100%, seis meses 50% e mais seis meses 25% do benefício até cessar", complementa.

Mas atenção: caso o período de afastamento seja menor que cinco anos, o bônus é diferente. Cada ano em que o segurado recebeu o benefício dará direito a um mês de parcela de recuperação. Por exemplo, se ficou afastado por quatro anos, receberá o dinheiro por quatro meses após o corte. O pessoal afastado por menos de cinco anos e que tinha carteira assinada quando a incapacidade começou não tem direito ao pagamento. Nesses casos, o ex-aposentado terá que ser reintegrado pela empresa.

Convocação

Nessa leva, que começará na segunda quinzena do mês, de acordo com o INSS, serão convocados por carta com Aviso de Recebimento (AR) aposentados por invalidez, conforme informou ao DIA o presidente do INSS, Leonardo Gadelha. Pessoas com mais de 55 anos de idade e 15 anos de benefício estão isentas da revisão.

A expectativa do instituto é que essas perícias comecem na segunda quinzena de setembro. Ao receberem a correspondência dos Correios, os segurados terão cinco dias úteis para agendar a perícia pela Central de Atendimento 135.

Quem está em auxílio-doença passa por reabilitação

Os segurados que recebem auxílio-doença e vão passar pelo pente-fino dos benefícios por incapacidade com mais de dois anos de duração podem ter de participar do programa de reabilitação profissional mantido pelo INSS em todo o país. Desde que as perícias médicas começaram para esse pessoal, quatro mil beneficiários foram encaminhados à reabilitação promovida pelo instituto. Ao todo, mais de 127 mil revisões de benefícios foram feitas até o mês de maio em todo o país.

Esse serviço do INSS oferece aos beneficiários afastados do trabalho, seja por motivo de doença ou de acidente, meios de reeducação ou readaptação para o seu retorno ao mercado. Normalmente, são oferecidos cursos de capacitação para quem participa.

Para participar do processo de reabilitação, o beneficiário será submetido à perícia médica e, caso o profissional do INSS conclua haver condições de retorno à ativa, mas sem a plenitude de sua capacidade, o segurado pode ir para o programa de capacitação.

Ao ser indicado pelo perito do INSS, o segurado é avaliado por um assistente social, que tenta encontrar uma vaga em um curso compatível com as características dele. Durante o processo, o beneficiário continua recebendo o auxílio-doença.

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