Alex Campos: Somos pais... Não somos banqueiros

Cresceu o percentual de pais que guardam dinheiro para os filhos

Por O Dia

Rio - Saiu uma boa notícia para ser comemorada, literalmente, com reserva. Cresceu o percentual de pais que guardam dinheiro para os filhos. Eles eram 42% no ano passado e subiram para 59% este ano, segundo levantamento da Boa Vista SCPC. Desses pais que guardam dinheiro para os filhos, 61% escolhem a caderneta de poupança para economizar; 8% economizam para os filhos aplicando em previdência privada; 7% aplicam em fundos de renda fixa ou ações na Bolsa de Valores; e 6% preferem títulos de capitalização.

A MELHOR DAS PIORES APLICAÇÕES

Está (quase) tudo certo aí nessa pesquisa porque a poupança é de fato o primeiro estágio de um aprendizado financeiro antes de se desenvolver uma disciplina econômica. Ela é, sim, recomendada como proteção ou segurança para o dinheirinho que vai aparecendo inicialmente, em especial aquele do primeiro salário proporcionado pela primeira carteira de trabalho. Nesse sentido, a caderneta vale a pena, mesmo sendo no máximo a melhor das piores aplicações, adequada para ser usada como reserva para improvisos, imprevistos, urgências ou emergências.

Você já aprendeu aqui: poupar, guardar ou acumular é o ponto de partida para produzir reserva; só depois, é preciso "investir" para construir riqueza. Poupar é um ato de preservação; "investir" é uma atitude de risco o que não significa que poupar é uma coisa boa e investir é uma coisa ruim (mas essa é uma outra história).

O que a pesquisa não diz e eu digo e repito é o seguinte: não cabe aos pais só ficar guardando dinheiro para os filhos; também cabe aos pais ensinar os filhos e conscientizar os filhos sobre a responsabilidade "deles" com as finanças pessoais e familiares. Para nos respeitar e respeitar o dinheiro, os filhos precisam nos ver como PAIS, e não como BANQUEIROS. Ninguém ama os banqueiros. 

80% NÃO GUARDAM DINHEIRO

Outra pesquisa veio mostrar que são poucos os brasileiros que poupam o que têm e muitos os brasileiros que gastam o que não têm. Nesse ambiente onde a maioria não preserva e não previne, as crises tendem a ser cada vez mais doidas e doídas. Isso não é bom porque o futuro não depende só do que desejamos lá na frente, depende também do que fazemos lá atrás. Por conta dos gastos adicionais de início de ano, por exemplo, os brasileiros não conseguem poupar nos meses seguintes. O Indicador de Reserva Financeira, calculado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), mostra que de janeiro a março de 2017 chegaram a 80% os entrevistados que não conseguiram guardar dinheiro.

DESPESAS EXTRAS, SAQUES EXCEPCIONAIS

Ainda de acordo com os dados da SPC Brasil e do CNDL, até entre aqueles que se consideram poupadores habituais, 48% precisaram dispor da reserva financeira para conseguir fechar as contas. Nesse caso, os principais motivos dos saques excepcionais foram o pagamento de contas ou gastos da casa (16%), despesas extras (16%) e dívidas em geral (10%).

NA DEPENDÊNCIA DE TERCEIROS

Mesmo em tempos de discussão sobre a reforma da Previdência, somente 16% mencionam a aposentadoria como motivação do hábito de guardar dinheiro. "É um percentual baixo, já que estamos considerando apenas a realidade dos poupadores", afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. "Uma reserva financeira é uma garantia contra imprevistos, além de um meio de realização de planos de consumo. O consumidor que, nesses casos, não pode se valer de recursos próprios acaba tendo que recorrer a entidades financeiras, arcando com juros geralmente muito elevados", alerta. "A longo prazo, a falta de preparo cobra o seu preço. Sem ter constituído uma reserva ao longo da vida, muitos idosos são obrigados a rever seu padrão de consumo ou acabam na dependência de terceiros", conclui.

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