Mudança nas previsões de pagamento deixa funcionalismo do Rio incrédulo

Governo estadual afirma que só quitará todos os salários deste ano até 20 de janeiro de 2018

Por PALOMA SAVEDRA

Rio - Após longa espera do estado e dos servidores, o presidente Michel Temer e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, enfim assinaram ontem o aval para o Rio receber o empréstimo de R$ 2,9 bilhões do BNP Paribas. O dinheiro será usado para pagar atrasados, como RAS da Segurança, 13º de 2016 e salários de outubro. Pelo menos R$ 2 bilhões entrarão no caixa na quarta-feira, dia 20, segundo o governador Luiz Fernando Pezão. Mas, ao contrário do que havia anunciado, nem tudo será acertado este ano. Pezão fez mais uma previsão: agora, segundo ele, as dívidas, como novembro, só vão ser quitadas no ano que vem, até 20 de janeiro.

A nova previsão contrariou os funcionários, que estão cada dia mais incrédulos quanto às datas. Segundo Pezão, só a partir de fevereiro é que os salários não atrasarão mais.

"O estado não quita todos os atrasados este ano. Paga 13° de 2016 e mais outubro. Novembro, dezembro (cujo pagamento é previsto para janeiro) e o 13° de 2017 serão quitados entre 15 e 20 de janeiro de 2018", declarou.

Questionado se haveria 'fôlego' suficiente no caixa para o pagamento de três folhas ao mesmo tempo, ele afirmou: "Trabalhamos para isso". "Nosso esforço era para resolver este ano, mas receberemos menos do que estava previsto (de R$ 3,5 bi, o crédito caiu para R$ 2,9 bi). Os R$ 900 milhões têm previsão para sair em 60 dias. Estamos negociando para sair em janeiro", explicou.

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Professora aposentada, Ieda Ribeiro, 77 anos, foi categórica: "Só vou acreditar quando o dinheiro cair na conta". Sem recursos suficientes, ela desistiu de marcar cirurgia de catarata neste mês. "Precisarei pagar anestesistas e outros custos que o plano de saúde só reembolsa depois", lamentou.

Ela disse que parte do salário paga o plano. E que, com a crise, mudou radicalmente o modo de vida. "Tirei minha neta da escola particular. Cortamos o lazer, como passeios, que são importantes para a saúde mental. Espero que esse sofrimento tenha fim".

Categorias criticam

As reclamações por parte dos representantes das categorias são intensas. "Mais uma vez o governo descumpre suas promessas de pagamento, usando soluções falsas, que não oferecem segurança ao servidor da Uerj e do estado",criticou o presidente da Associação de Docentes da Uerj, Guilherme Vargues.

Ele acrescentou que a categoria insistirá na aprovação de orçamento fixo pra universidade. "É fundamental que o governo e a Alerj aprovem e repassem o custeio da instituição em forma de duodécimos pro ano que vem", reivindicou.

Representante do Muspe e do SindpeFaetec, Marcos Freitas também reclamou: "Mais uma vez o governo mentiu. Os intermináveis atrasos de pagamento de salários são um desrespeito sem medida para pessoas que estão sofrendo privações há dois anos e que passarão mais um Natal sem ter o que comemorar".

Acerto de dias descontados

O secretário estadual de Educação, Wagner Victer, informou à Coluna que, na segunda-feira, vai pagar os 17 dias que foram descontados de professores na greve de 2016. Segundo ele, é o "cumprimento de promessa feita à categoria" em caso de reposição das aulas perdidas na paralisação. "Vamos terminar o ano com os 200 dias letivos". A pasta depositará para 15 mil matrículas e, ao longo da semana, para outras.