Cufa lança o cartão da favela

Iniciativa vai beneficiar comerciantes e estimular consumo nas comunidades

Por O Dia

Rio - As comunidades do Rio já têm moeda própria. Foi lançado ontem, em uma cerimônia na sede da Central Única das Favelas (Cufa), sob o viaduto de Madureira, um cartão que promete movimentar a economia nesses territórios. Em um primeiro momento, a Favela Holding, responsável pela criação do Cufa Card numa parceria com a Conta Um, mapeou 31 comunidades do Rio. A projeção é otimista. A organização acredita que vai emitir um milhão de cartões no Rio em apenas quatro meses. Mas o plano é que a iniciativa já se espanda para todas as favelas do país.

Projeto foi lançado em 31 comunidades do Rio%2C mapeadas pela Favela Holding. Mas deve se expandir para todo o paísDivulgação

A principal vantagem é que o cartão vai ser pré-pago e aceito em todos os estabelecimentos com a bandeira MasterCard no Brasil. O modelo surgiu a partir de uma pesquisa sobre hábitos de consumo.

Segundo o levantamento, 83% dos moradores de favela têm celular — 97% deles insere crédito pré-pago. E, em média, gastam R$ 50 por mês com o aparelho. O consumidor vai pagar R$ 8 por mês no cartão. O valor vai ser revertido em R$ 10 como crédito no celular. “Fizemos uma parceria com as quatro operadoras”, conta Celso Athayde, CEO da Favela Holding e um dos idealizadores do projeto.

A taxa é zero

Os empreendedores também vão ser beneficiados pela iniciativa, já que vão poder receber pagamentos numa maquininha sem pagar taxas. Segundo o levantamento da Cufa, o empreendedor convencional paga, em média, R$ 160 por mês para usar a máquina. “A taxa do comerciante da favela é zero. É o começo de uma revolução social, mas por vias econômicas, com incentivo à geração de trabalho e renda. Essa vai ser a grande moeda da favela brasileira”, projeta Athayde.

Uma moeda, aliás, que pode beneficiar gente que ganha a vida com o comércio voltado para a comunidade. Ramildo Belizario improvisa um pequeno mercadinho na porta de casa, na Vila Cruzeiro, onde vende biscoito, cerveja e papel higiênico. “Não é só o meu (mercado). Tem gente que vende pizza, cachorro-quente. Aqui, cada um se vira como pode. Um incentivo assim, pra gerar renda e trabalho, sempre é bom”, opina.

Aquisição também pode ser feita pelo site www.cufacard.com.br%2C por moradores de favelas e periferias de todo o paísDivulgação

José Carlos dos Santos Alves, o Canu, mora na favela do Sapo, em Senador Camará, na Zona Oeste do Rio. Já vendeu roupa, se dedica a projetos sociais e trabalha na área de educação. Ele acredita que o Cufa Card vai alavancar o comércio nas comunidades do Rio. “A gente vai ficar dentro da favela, fazendo o dinheiro circular. Quando o comércio se beneficia, os moradores também se beneficiam”, avalia.

Uallace Rodrigues da Silva, 39, morador da Vila Vintém, concorda: “Vejo esse cartão como uma mão na roda. Essa sacada foi muito boa mesmo! É uma facilidade, né? Gera remuneração”. O cartão ainda vai trazer benefícios, possibilitando compras online e transferências entre contas de usuários.

Como vai ser

Serão 65 multiplicadores em 31 favelas do Rio. A ideia é fazer o cadastro e entregar cartão aos clientes — e maquininhas aos empreendedores.

A aquisição também pode ser feita pelo site www.cufacard.com.br, por moradores de favelas e periferias de todo o país. Os cartões serão aceitos em estabelecimentos com bandeira MasterCard.

Para selecionar as favelas que recebem os multiplicadores, a Cufa fez um estudo da renda per capita e do IDH. Áreas como a Rocinha, foram escolhidas por ter um comércio forte. E outras, como Vigário Geral e Parada de Lucas, foram selecionadas justamente para ajudar a impulsionar empreendimentos e consumo nesses locais.

Comerciantes interessados em aderir às maquininhas não terão custos. Uma vantagem, em comparação a máquinas que cobram, em média, 10% de taxa aos empreendedores, segundo levantamento feito pela Cufa. Eles também recebem o valor à vista.

O cliente interessado no cartão desembolsa R$ 8. O valor é revertido em R$ 10 de crédito para celular.

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