Por bianca.lobianco

Rio - O desprezo da presidenta Dilma Rousseff (PT) pela campanha de Lindberg Farias (PT) ao governo do estado e o apoio dela à reeleição do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) podem gerar um mal estar na campanha petista à Presidência no Rio. Cresce a chance de uma união informal entre o senador petista e o presidenciável do PSB Eduardo Campos. A desculpa e a liga têm um nome: Romário.

Oficialmente, o discurso é de que não há intenção de uni-los, mas a coincidência de agendas entre os candidatos com a do ‘Baixinho’, que concorre ao Senado pelo partido de Campos, não é descartada pela campanha de Lindberg. Eduardo Campos estará no Rio duas vezes nos próximos 15 dias. Numa delas, na terça, entretanto, Romário estará em Brasília.

“Vamos trabalhar para que não ocorra (o encontro), mas se houver, não vamos fazer disso um bicho de sete cabeças nem um escândalo”, despista o coordenador da campanha do senador, Washington Quaquá, que preside o PT no Rio. “Nem será uma afronta à presidenta”, acrescenta um aliado de Lindberg. “Aliás, se Eduardo for para o segundo turno com Dilma, o Brasil ganhará”, disfarça Quaquá.

A revelação de que o petista e o socialista caminharão juntos foi feita por Romário, em entrevista publicada sábado pelo DIA. Segundo ele, Lindberg estará com Campos e Marina Silva em breve.

Candidato do PT ao governo do estado%2C Lindberg Farias fez corpo a corpo em feira livre em Campo GrandeDivulgação

Para o presidente regional do PT, Eduardo Campos é um parceiro “histórico e não há nada de errado em os dois se encontrarem numa agenda com Romário”, que lidera a corrida ao Senado no Rio.

No PSB, a informação não é novidade e o encontro já teria ocorrido se a caminhada do dia 26, no Complexo do Alemão, não tivesse sido desmarcada. “Choveu muito, então, Eduardo e Marina desistiram da agenda”, explicou Romário ao DIA

O entrosamento entre os aliados já rende benefícios ao petista. Confeccionados pelo PSB Nacional, cerca de 30 mil adesivos com as imagens e nomes de Eduardo Campos, Marina Silva, Romário e Lindberg Farias já começam a ser distribuídos no Rio. Também há placas para cabos eleitorais com todos os candidatos.

Enquanto ignora seu correligionário, Dilma esteve duas vezes no último mês em agenda pública com o governador Pezão. A primeira, antes do início da campanha, na abertura do Arco Metropolitano, em 1º de julho; a segunda, já em campanha, na Baixada, no dia 24. A insatisfação fez com que Anthony Garotinho (PR), outro aliado, liberasse o voto de seus partidários para presidente. Dilma não tem agenda esta semana no Rio.

Legislação traz dúvidas

Para a professora de Direito Eleitoral da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Silvana Batini, o ato amistoso do PSB nacional de confeccionar material de campanha incluindo o nome de Lindberg Farias (PT) pode ser questionado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo ela, que já foi procuradora regional eleitoral, a aliança entre o PSB e o PT é local, não nacional, e, portanto, o Ministério Público pode questionar a ação.

O CNPJ impresso no material não foi encontrado pela reportagem no site do TSE, mas foi confirmado numa pesquisa nos registros da Receita Federal. “Há um limbo jurídico. A lei eleitoral não trata desta questão de forma aprofundada, então, o TSE terá de analisar caso a caso, sempre considerando se está claro ao leitor a que coligação pertence cada candidato”, explica Silvana.

Nos adesivos distribuídos no Rio, porém, quem assina é a coligação Unidos pelo Brasil, da qual o PT não faz parte.

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