Luciana Genro: 'Nós vamos tirar dos ricaços'

Candidata à Presidência pelo Psol promete taxar as grandes fortunas

Por bferreira

Rio - Candidata do Psol à Presidência, a ex-deputada Luciana Genro visitou ontem a sede do DIA, onde falou sobre seus planos, reclamou cobertura parcial das emissoras de TV e se colocou como a real alternativa a Dilma Rousseff e a Aécio Neves. Defensora da taxação das grandes fortunas para subsidiar a educação, Luciana levanta outras bandeiras polêmicas, como a regulamentação das drogas e do aborto.

Luciana GenroUanderson Fernandes / Agência O Dia

O DIA: Na véspera do Dia dos Pais, não dá para deixar de perguntar uma coisa: em quem a senhora vai votar para governador do Rio Grande do Sul?

LUCIANA GENRO: No Roberto Robaina, pai do meu filho, que é o candidato do Psol. Meu filho também vai votar nele, e não no avô. (Nota da redação: o pai de Luciana é o governador e candidato à reeleição Tarso Genro, do PT, aliado de Dilma).

E seus pais vão votar em quem para presidente? Em você ou na Dilma?

Minha mãe vai votar em mim. É mãe, né? Meu pai diz que vai votar na Dilma, mas o voto é secreto. Espero que vote em mim (risos).

Ainda dá tempo de o Psol se colocar como a terceira via nesta eleição?

Este é o grande desafio, até porque a candidatura do Eduardo Campos não é terceira via. Ele é um híbrido do PT com o PSDB, tem coisas de um e de outro. Tanto que no Rio, o PSB está com o PT e em São Paulo, com o PSDB. Acho que tenho chances, sobretudo se a imprensa, sobretudo de TV, fizer uma cobertura mais justa. Se ganhar qualquer um dos três, vai mudar muito pouco.

Em relação a quê?

Nós não vamos governar para todos. Eles dizem que governam, mas não governam. Quem ganha são sempre os bancos, empreiteiros e o capital financeiro. Eu, não. Vou atender as demandas que temos na saúde, na educação, nos serviços públicos que precisam ser de qualidade. Eles também dizem isso, mas não falam como. Eu falo.

E como vai ser isso?

Fazendo uma revolução tributária. Os bancos, no ano passado, lucraram mais de R$ 70 bilhões. Quanto mais a crise se agrava, mais eles lucram. Vamos taxar as grandes fortunas. E nem defendo mais o meu próprio projeto, de fortunas acima de R$ 2 milhões. Não mexeremos com os riquinhos, apenas com os ricaços, com imposto de 5% para quem tem mais de R$ 50 milhões. Apenas isso renderia R$ 90 bilhões por ano, o que já dá para dobrar o investimento em educação. Alguém tem que pagar a conta da desigualdade. E serão os ricaços.

O Psol vai conseguir, com apenas 50 segundos, mostrar que pode ser o representante da multidão de insatisfeitos que foi às ruas em junho de 2013?

Acho que dá para dar o recado. É importante que as pessoas se mobilizem porque os políticos têm medo quando o povo vai para as ruas. E no momento que o povo sai das ruas, eles se acomodam novamente. E nós precisamos organizar esta insatisfação porque é preciso ter uma interlocução, senão a gente não consegue resolver os problemas.

E como a senhora vê o descrédito dos partidos?

Acho que a repulsa foi aos partidos tradicionais, sobretudo ao PT, ao PC do B, e em parte ao PSTU, que muitas vezes tentam se apropriar de movimentos espontâneos como os de junho. E isso é até positivo em alguns pontos. Cabe a nós mostrar que fazemos diferente.

A sua candidatura também levanta bandeiras polêmicas, como a legalização da maconha e a regulamentação do aborto, sempre recorrentes mas que nunca são efetivamente discutidas aqui.

Estas pautas são exigências de setores significativos e o mundo inteiro já comprovou que esta guerra as drogas, da forma como está colocada, fracassou. Este modelo só provoca mais violência e corrupção. O narcotráfico mata muito mais do que a droga. Vários países têm enfrentado esta questão e obtido resultados importantes, como o Uruguai. E não somos a favor do aborto. Acho que ninguém é. Somos a favor das mulheres. E as que têm dinheiro, abortam. As que não têm, morrem. Esta é a questão.

A senhora também é a favor da desmilitarização da Polícia Militar?

Sim. Mas falta explicar que desmilitarizar não é desarmar a polícia. Não é isso.

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