A única certeza é que, com Marina Silva, vai ter segundo turno para presidente

Petistas e tucanos concordam que quadro mudou, mas dizem que é cedo para prognósticos

Por O Dia

Brasília - A pesquisa do Datafolha que aponta Marina Silva, cuja candidatura à Presidência pelo PSB deverá ser oficializada amanhã, e o tucano Aécio Neves empatados em segundo lugar na disputa pelo Palácio do Planalto foi recebida com cautela pelas cúpulas do PT e do PSDB. O levantamento mostra a presidenta Dilma Rousseff na liderança, com 36% das intenções de voto, Marina com 21% e Aécio com 20%. Num eventual segundo turno, Marina venceria a disputa por 47% a 43% de Dilma. A sondagem tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos.

A avaliação é que a pesquisa foi feita no calor da morte de Eduardo Campos e, por isso, é preciso esperar entre 15 e 20 dias para se ter um quadro real da disputa pelo Palácio do Planalto. A única certeza que petistas e tucanos têm, neste momento, é que a entrada de Marina levará ‘obrigatoriamente’ a corrida presidencial para o segundo turno. As pesquisas internas dos partidos já davam a ex-senadora com 15% e 20% das intenções de votos.

PSB define nesta semana a candidatura de Marina Silva à presidência contra Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB)Divulgação

“Ficou claro que vai ter segundo turno. Era uma perspectiva cada vez mais provável. Hoje é certeza”, afirmou Aécio Neves. Ele aproveitou para citar “experiência política e de gestão” como trunfo de sua campanha.

O debate sobre a capacidade administrativa será uma das armas contra a ex-senadora. “A nossa experiência política, inclusive de gestão, será muito importante para que o Brasil encontre um novo caminho de crescimento econômico, mais oportunidades de emprego e qualidade de vida”, argumentou o tucano.

Para o senador Paulo Paim (PT-RS), o resultado do levantamento reforça a perspectiva de um segundo turno nas eleições. “Hoje, com a Marina, é inegável que haverá segundo turno”, disse.
Segundo Paim, o movimento ‘volta Lula’ dentro do PT não tem força. “Num momento como este, seria muito confuso e sem lógica pregarmos a volta do Lula. Seria precipitado e sem sentido”, observou o petista.

Candidato à reeleição, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) afirmou ontem que ainda é cedo para avaliar definitivamente o impacto do ingresso de Marina na disputa eleitoral. “(A pesquisa) pareceu muito boa para a Dilma. A presidenta não caiu. Ficou no mesmo patamar. Vamos esperar mais dez ou 15 dias para ter uma avaliação mais correta”, argumentou. “A primeira sensação que tivemos é de os dados indicam que a presidenta poderá ser reeleita.”

Para o coordenador da campanha de Aécio Neves, senador José Agripino Maia (DEM-RN), o bom resultado de Marina é fruto da “comoção” após a morte de Eduardo Campos. “Voto é compulsão e reflexão. Você ter empate em cima de uma comoção com a substituição de um candidato não nos causa nenhuma preocupação”, afirmou Agripino, ao avaliar que Marina atingiu o seu “teto” de votos, sem margem para um novo crescimento.

Últimas de _legado_Eleições 2014