Por bferreira
Publicado 20/08/2014 02:20

O discurso de alinhamento político com as ideias de Eduardo Campos, vítima da tragédia que alterou o panorama político nacional, marcou ontem os programas dos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), na estreia da propaganda eleitoral gratuita na televisão.

Primeiro na ordem de exibição, o PSB, partido de Eduardo, aproveitou gravações já feitas pelo candidato, e exibiu rapidamente cenas de um abraço entre Eduardo e Marina Silva, na única aparição da ex-senadora, que deverá ser anunciada hoje como candidata do partido à Presidência. Imagem de Campos com a mulher, Renata, e os filhos surgiu enquanto a frase que virou lema do partido: “Não vamos desistir do Brasil”.

Aécio Neves (PSDB), começou seu programa afirmando que “a melhor forma de celebrar a vida é colocar em prática as ideias que tínhamos em comum”, referindo-se a Eduardo Campos, e lembrou que se aproximou do ex-governador de Pernambuco através dos avôs de ambos, Tancredo Neves e Miguel Arraes, na época das Diretas Já.

Na propaganda de Dilma Rousseff (PT), coube ao ex-presidente Lula dizer que a luta de Campos é a mesma de seu partido, e que mantinha com ele um “afeto de pai e filho”.

Lula reforçou ainda um dos motes do programa de Dilma, ao afirmar que o segundo mandato é sempre melhor do que o primeiro, e pedir aos eleitores que votem “sem receio” na presidenta.

Dilma enfatizou a distribuição de renda de seu governo, citando números da inclusão social e a estabilidade econômica, além de sua capacidade de enfrentar situações adversas como a crise mundial e ainda gerar empregos.

“Todo dia temos que subir e descer o Everest”, afirmou Dilma. E mostrou cenas de programas como o Pronatec e o Minha Casa Minha Vida, citando em rápidas imagens obras do governo como metrôs, ferrovias, hidrelétricas, e BRTs.

Aécio Neves mostrou roteiro destinado a se apresentar ao eleitor, mostrando pessoas em diferentes lugares e situações acompanhando seu programa eleitoral em aparelhos de rádio, televisão e celulares.

Na TV, estratégias diferentes

Cientistas políticos viram com naturalidade a exploração do nome de Eduardo Campos nas propagandas de PT e PSDB. “Mas o uso prolongado do artifício por esses partidos causaria a antipatia do eleitorado, que veria como um oportunismo”, opinou Geraldo Tadeu, do Iuperj. “A tendência é que o próprio PSB faça a transição do protagonismo de Campos para Marina Silva.” Diferentes estratégias marcaram as estreias de PT, PSDB e PSB na TV. Enquanto o PT se empenhou em passar a imagem de uma sensível Dilma Rousseff, que sente saudade da neta e da filha, cozinha e leva o cachorro para passear, Aécio Neves focou suas críticas nos quatro últimos anos do governo. Já o PSB utilizou os dois minutos de sua inserção para homenagear Eduardo Campos.

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