Por bferreira

Brasília - O choque entre os interesses de Marina Silva e as vontades do PSB causou duas baixas na campanha da candidata. Homem de confiança de Eduardo Campos, Carlos Siqueira, secretário-geral do partido, e Milton Coelho, o coordenador de mobilização, deixaram a campanha.

Marina pretende definir hoje os novos dirigentes do PSB que assumirão as funções estratégicas da campanhaEfe

Siqueira disse que foi “desrespeitado”. Irritado, ele mandou a ex-senadora, a quem chamou de “hospedeira”, “mandar na Rede dela”. A rusga surgiu da indicação de Walter Feldman, da confiança de Marina, para dividir a coordenação.

Embora sem apoio público do partido, ele vocalizou “a insatisfação reprimida dentro da legenda, sentimento de terra arrasada”, revelou um dirigente do PSB.

“Marina não representa o legado de Eduardo Campos.Eu que não quis ficar na coordenação dela. Não aceito, não continuarei na campanha porque meu compromisso era com Eduardo. Eram muito diferentes politicamente, ideologicamente, em todos os sentidos”, disse Siqueira.

“Perdemos o líder, o candidato, o dinheiro da campanha e não temos alguém capaz de unir as pessoas. Se não nos rendêssemos a ela, o desastre seria pior”, desabafou um dirigente.

Milton Coelho, da Executiva Nacional do PSB, justificou a saída dizendo que, sem Eduardo Campos, seu “compromisso com a coordenação da campanha acabou”.

Beto Albuquerque, candidato a vice, admitiu “estresse” e “tensão”, mas rechaçou crise. Ele falou em “pequeno desentendimento” e defendeu Marina. “Foi um desentendimento de palavras, de compreensão. É fruto do estresse que vivemos. Os últimos sete dias foram terríveis para nós.” Ele se ofereceu para o lugar de Siqueira até a indicação do coordenador.

Ontem, em caminhada na Saara, no Centro, Lindberg Farias (PT) admitiu articular campanha conjunta com Marina no Rio, como O DIA adiantou ontem. “Tenho ótima relação com ela. O que ela decidir para a gente está bom”, afirmou ele.

Secretário não tem aliados no partido

Preterido por Marina Silva, Carlos Siqueira era o homem de confiança do ex-governador Eduardo Campos, morto na semana passada. E, nele, resguardava-se no PSB.

Sua relação com a família Campos teve início ainda com Miguel Arraes, de quem foi secretário. Com a morte do líder, ele se aproximou do neto. “Confiava tanto que Eduardo dava cartão e senha de banco para resolver problema”, contou um membro da Executiva.

Secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira preside a Fundação João Mangabeira, que recebe 20% da verba partidária. Roberto Amaral, que agora é o presidente nacional da legenda, não é seu aliado. Sua fraqueza, dizem socialistas, está em não ter voto.

PSB apresenta sua candidata

A ex-senadora Marina Silva apareceu ontem, pela primeira vez, como candidata à Presidência da República no horário eleitoral na televisão. Na terça-feira, primeiro dia de propaganda gratuita, o programa do PSB foi todo dedicado a homenagear Eduardo Campos, morto na semana passada em Santos.

O programa de ontem, no entanto, foi apenas uma reprodução do discurso de Marina na quarta-feira, quando ela foi oficializada candidata no lugar de Eduardo Campos.

“Eduardo se revelou em sua morte. Os brasileiros passaram a conhecê-lo. Nosso destino comum está traçado no legado de Eduardo. Devemos isso a ele e ao povo brasileiro. Não vamos desistir do Brasil”, disse Marina.

No programa de Dilma Rousseff, o destaque foi a presença do ex-presidente Lula. Ele apresentou as realizações do governo e acusou parte da imprensa de integrar o “partido de oposição”. Lula disse que foi eleito com o slogan a “esperança vai vencer o medo” e que agora será “a verdade vai vencer a mentira”.

Já Aécio Neves usou o programa na televisão para “convidar os brasileiros a mudar o Brasil”.

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