Horário eleitoral evidencia os puxadores de voto para Câmara

Apostas dos partidos envolvem clãs familiares, celebridades e quadros históricos

Por O Dia

Rio - O início do horário eleitoral gratuito evidenciou quem são os candidatos cotados pelos partidos para puxar votos na eleição para deputado federal. Geralmente, eles têm preferência na ordem de aparição e no tempo de TV, pois são quadros importantes para a sigla ganhar mais cadeiras no Congresso. O perfil dos puxadores varia de lideranças históricas a celebridades de primeira viagem. Também são destaques os filhos de figurões da política fluminense.

É o caso de Clarissa Garotinho (PR) e Marco Antônio Cabral (PMDB). Clarissa é filha dos ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho e é a principal aposta do PR no pleito deste ano. Em 2010, o pai dela foi o segundo deputado federal mais votado do Brasil, com quase 700 mil votos, atrás apenas de Tiririca (PR-SP). Clarissa o acompanha em praticamente todos os compromissos de campanha, apostando na transferência de votos. “Ela já rodou todos os municípios. Tenho certeza que ela será a mais votada no estado”, afirma Rogério Vargas, coordenador da campanha, sem arriscar uma previsão de votos. Ele diz que ela não tem espaço privilegiado no horário eleitoral.

A deputada estadual Clarissa Garotinho quer captar os eleitores do pai%2C o candidato Anthony GarotinhoFabio Gonçalves / Agência O Dia

Ainda dentro de clãs familiares, Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, é o xodó do PMDB neste ano entre os candidatos novatos. No primeiro dia do horário eleitoral, Cabralzinho teve direito a duas inserções, onde elogiou as obras da gestão do pai. “Temos uma expectativa de conseguir mais de 200 mil votos. Ele representa o currículo do pai”, diz o presidente estadual da sigla, Jorge Picciani.

No PP, o principal nome é o controverso deputado conservador Jair Bolsonaro. Além da campanha do Rio, este ano ele está dividindo seu tempo entre São Paulo, na tentativa de eleger o filho Eduardo Bolsonaro (PSC) deputado federal por lá. “Tenho 590 mil seguidores no Facebook e vídeos no YouTube com mais de um milhão de visualizações”, diz focado nas redes sociais.

No PT, que costuma ter votos mais diluídos, espera-se que Alessandro Molon repita um bom desempenho este ano. “Também achamos que a Benedita da Silva terá uma boa votação. Entre os novos, tem o Wadih Damous, presidente da Comissão da Verdade”, diz Washington Quaquá, presidente do PT estadual.

Os puxadores de votoArte%3A O Dia

Nos partidos nanicos, Chico Alencar (Psol), o segundo deputado mais votado no Rio das eleições de 2010, tem um bom ‘recall’. Já o PV jogou as fichas na direção oposta e procurou um candidato celebridade: o ex-BBB Diego Alemão é o primeiro a aparecer na propaganda do partido, com o slogan “vamos colocar a corrupção no paredão”.

Candidato bem votado ajuda partido

Os chamados quociente eleitoral e quociente partidário são as regras que tornam os candidatos com votação expressiva tão importantes para os partidos. No sistema eleitoral brasileiro, um candidato que é bem votado nas eleições proporcionais ajuda a eleger outros colegas para as casas legislativas.

O quociente eleitoral é calculado pelo o total de votos válidos dividido pelo número de vagas disputadas. No caso da Câmara dos Deputados, o estado do Rio tem 46 cadeiras. Já o quociente partidário é o número de vagas destinadas a cada partido, calculado pela quantidade de votos do partido ou da coligação divididos pelo quociente eleitoral. 

Exemplo: se um estado tem 200 mil votos válidos e 10 vagas são disputadas, o quociente eleitoral é 20mil. Um partido que recebeu 40 mil votos tem direito a duas vagas. Ou seja, se um candidato recebeu 30 mil votos e seu correligionário recebeu 10 mil, o primeiro puxa votos para o segundo.

Os puxadores de voto

Marco Antônio Cabral (PMDB)

Em sua primeira eleição, o filho do ex-governador Sérgio Cabral quer ir direto para Brasília. Ele arrecadou quase meio milhão de reais na campanha e foi privilegiado no primeiro dia de horário eleitoral, aparecendo duas vezes no programa do PMDB.

Jair Bolsonaro (PP)

O controverso deputado ultradireitista tenta o sétimo mandato na Câmara dos Deputados. Em 2010, se elegeu com 120.646 votos. Em 2014, tenta levar para o Congresso seu filho Eduardo Bolsonaro, candidato em São Paulo pelo PSC. No ano passado, queria se candidatar à Presidência.

Chico Alencar (Psol)

Vindo da corrente da esquerda católica, foi um dos fundadores do PT, mas saiu do partido em 2005, junto com a dissidência que fundou o Psol. Tenta seu quarto mandato na Câmara com uma campanha “franciscana”, como define. Até agora, arrecadou 107 mil reais.

Diego Alemão (PV)

Na falta de quadros expressivos para disputar uma cadeira na Câmara, o PV foi atrás de Diego Alemão, vencedor do Big Brother em 2007. No horário eleitoral da legenda, onde tem espaço maior que os seus correligionários, usa o slogan “vamos botar a corrupção no paredão”.

Índio da Costa (PSD)

A sigla criada por Gilberto Kassab em 2011 participará pela primeira vez de uma eleição para deputado federal. No Rio, o principal candidato é Índio da Costa, que foi vice de José Serra (PSDB) na campanha de 2010, quando estava no DEM. Na TV, se apresenta como relator da Lei da Ficha Limpa.

Alessandro Molon (PT)

Tentará seu segundo mandato como deputado federal. No Congresso, ganhou destaque por ter sido relator do projeto do marco civil da internet. Em 2010, foi o candidato mais votado do PT do Rio, com 129.515 votos.

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