Candidato do Psol chama de ‘fast food’ policiais de UPPs

Tarcísio Motta condenou o modelo de pacificação que treina policiais por apenas seis meses

Por O Dia

Rio - Depois da “UPP de lata”, os homens empregados nas Unidades de Polícia Pacificadora ganharam o apelido de“policiais fast food”, utilizado pelo candidato do Psol, Tarcísio Motta, que ontem abriu a série Encontros do Comércio com Candidatos, promovido pela Fecomércio (Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro) em parceria com o Senac e com o apoio do DIA.

Professor de História, Tarcísio acredita que as UPPs nunca vão chegar a se constituir em política universal. “Se eu estudei quatro anos para dar aula, um policial não pode ser formado em seis meses”, condena o modelo adotado pelo governo do estado, ressaltando que o foco da política de segurança deve ser no controle e fiscalização das armas usadas em áreas de risco.

Mediado pelo diretor de Redação do DIA, Aziz Filho, o debate surpreendeu a plateia pelo tom conciliador do candidato do Psol. “Não sou um bicho de sete cabeças, não mordo. Quero ouvir o comércio para mudar a política que está aí”, afirmou. A seguir, um resumo dos principais temas.

Tarcísio Mota: 'Não sou um bicho de sete cabeças, não mordo'Maíra Coelho / Agência O Dia

Desenvolvimento

Queremos mudar radicalmente o modelo de desenvolvimento que vem sendo adotado nos últimos anos. Reconheço que o Rio se desenvolveu, mas este desenvolvimento ficou concentrado em pequenos setores e grandes empresários que não garantiram à população os direitos básicos. Falta educação e saúde de qualidade, sobram engarrafamentos e problemas graves na política de segurança pública.

Dívida pública

O Rio tem hoje uma dívida pública de R$ 81 bilhões e chegará ao fim do ano devendo R$ 100 bilhões. Isso tendo um orçamento de R$ 80 bilhões, ou seja, cada criança que nasce no Rio já começa a vida devendo R$ 5 mil. A gente começa o ano com o orçamento todo comprometido. Este modelo não se sustenta mais. Precisamos de um modelo integrado de desenvolvimento.

Mobilidade e Baixada

A Baixada é sempre lembrada nas campanhas e esquecida nos governos. Precisamos integrar a Baía de Guanabara, com barcas na Rodoviária Novo Rio, São Gonçalo e Baixada.

Reforma fiscal

O sistema atual atingiu o pequeno e médio empresário e temos que desonerar este empreendedor, que gera mais emprego e desenvolvimento sustentável. Não pode haver isenção apenas para amigos do governador.

Excesso de feriados

Isto é um sintoma da falta de planejamento (em 2014 o Rio terá 22 feriados, a custo de R$ 1 bilhão cada para o comércio). O governo quer que a população saia da cidade durante os mega eventos, e nós queremos criar condições, de fato, para que a cidade sedie estes eventos e se beneficie deles. O grande resultado econômico esperado na Copa não aconteceu.

Tarcísio Motta abriu a série Encontro do Comércio com Candidatos%2C promovido pela Fecomércio Maíra Coelho / Agência O Dia

Segurança pública

A UPP nunca vai ser uma política de segurança universal. Ela foca em um lugar e abandona outro. Segurança pública não é só UPP e caveirão ou policial fast food, que se forma em seis meses. Se eu estudei quatro anos para dar aula, um policial não pode ser formado em seis meses. O que mata são as armas e precisamos ter, sobretudo, controle e fiscalização sobre estas armas. 75% do que é apreendido saem dos nossos paióis, não de tráfico internacional.

Educação

Vivemos num governo que fechou escolas. A meritocracia que foi implantada é injusta. É como colocar uma Ferrari para competir com um fusquinha e, no fim, punir o motorista do fusquinha. Defendemos a educação integral técnica e humana, não apenas técnica. Os CVTs (Centros de Vocação Tecnológica) são interessantes, mas o modelo é precarizado. Temos que formar mão de obra, mas cidadãos também. Temos um economista que é secretário de Educação, que faz economia na secretaria, não educação.

Movimento social

A Fecomércio é, também, um movimento social. E queremos ouvir este e os outros movimentos. Não sou um bicho de sete cabeças e não mordo. Precisamos chamar as pessoas para trabalhar junto conosco. Queremos mais propostas e menos marketing para mudar a política que aí está.

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