Garotinho: primeira medida no governo é renegociar dívida

Candidato disse que União não deu dinheiro, mas emprestou para estado fazer obras

Por O Dia

Rio - Ordem nas contas. Para o candidato do PR ao Palácio Guanabara, Anthony Garotinho, o próximo governador não tem outra alternativa para início dos trabalhos em 2015 senão a reestruturação e renegociação das dívidas do estado acumuladas nos últimos anos. Garotinho participou do último dia da série Encontros do Comércio com Candidatos promovido pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio RJ), em parceria com o Senac RJ, e apoio do DIA.

O candidato criticou o aumento do montante de empréstimos contraídos nos últimos anos e que chegaria, segundo ele, a R$ 89 bilhões. Para Garotinho, o governo tem iludido a população ao falar dos investimentos do governo federal no estado. “A gente ouve falar o tempo todo na parceria ‘Somando Forças’. Na verdade, o governo federal não deu dinheiro nenhum ao Estado do Rio. Foi tudo empréstimo. Parque da Rocinha e do Alemão, empréstimos da Caixa Econômica Federal. Reforma do Maracanã, empréstimo do BNDES”, afirmou Garotinho. Ele disse que o estado estava destruído após o o governo de Marcelo Alencar, mas agora as contas estão “destroçadas.”

Anthony Garotinho%2C líder nas pesquisas para o governo do estado%2C disse que não há outra coisa a fazer no início da administração a não ser renegociar a dívida do estadoMaíra Coelho / Agência O Dia

O candidato defende que a primeira medida de um futuro governo seja um prazo maior para arcar com os pagamentos das parcelas e dos juros. “A primeira coisa a se fazer é renegociar novamente a dívida do estado trazendo um alongamento desses empréstimos”, sustentou. Para ele, os candidatos que anunciam outras medidas mentem. “Na atual situação quem disser que vai fazer alguma coisa antes de resolver esse problema está mentindo. Esse é o problema número um: resolver a dívida estrutural do estado”, disse.

Ao sustentar seu nome aos representantes do comércio, Garotinho defendeu que o próximo governador precisa ser habilidoso. Ele ainda atacou seus adversários ao dizer que o chefe do executivo estadual não pode ser alguém que “não sabe botar uma minhoca no anzol”, nem um inexperiente na administração pública ou mesmo os que levaram o estado a essa situação”.

Questionado sobre suas ideias para aliviar a carga tributária dos lojistas aumentando empregos, Garotinho lembrou um projeto de lei de sua autoria que tramita no Congresso. “Sou autor de um projeto, a pedido das câmaras de dirigentes lojistas do país, que proíbe o estado de aplicar substituição tributária sobre empresas enquadradas no Simples Nacional”, explicou.

A proposta é fazer com que a empresa simples seja tributada apenas uma vez e não seja mais aplicada a substituição tributária como ocorre atualmente. “Esse projeto já passou por todas as comissões, o parecer é favorável e está pronto para votação, mas esse ano é um ano muito difícil de ter votação em Brasília”, disse Garotinho. A previsão é de que a aprovação só ocorra no próximo ano.

IDEIAS PARA GOVERNAR

PISOS REGIONAIS

“Você deve se lembrar que quando o presidente Fernando Henrique aprovou a lei que dava aos estados a possibilidade de fixar o salário mínimo regional o primeiro e o único a fixar fui eu. Durante um longo período só o Rio tinha um salário mínimo maior que os outros estados. Eu acho justo. Não acho que um trabalhador do Rio tem que ter o mesmo poder de compra do que o salário mínimo do Piauí. O do Rio tem que ganhar mais.O padrão de vida aqui é mais caro. Então eu fixei um salário mínimo maior porque eu sei que o custo de vida é muito maior”.

NOVOS FERIADOS

“Eu não criei nenhum feriado. Fui até muito criticado porque criaram uns feriados aí que eu era contra e discordei. Caíram de pau em cima de mim. Mas acho que tem feriado demais. Eu se pudesse acabaria com alguns, mas você sabe que tem questões culturais que são muito complicadas. Em países com economias semelhantes à do Brasil nenhum deles tem a mesma quantidade de feriados que o Brasil tem”.

UPP E SEGURANÇA

“Vamos reestruturá-la e vamos fazer aquilo que é o nosso projeto que é o Batalhão de Defesa Social. Da mesma forma que fizemos as delegacias legais, vamos reestruturar os batalhões e vamos ter defensor público, assistente social, pré-vestibular social. Você não faz polícia de proximidade sem ação social. Isso é burrice. E sem prender bandido, que aqui no Rio também não prende”

CONTAS DO ESTADO

“Vamos nos preparar para um momento difícil. Eu não sei se o estado terá condições de honrar os compromissos de final de ano com os funcionários do estado. Eu não sei se vão conseguir. Vão ter dificuldade. Não vamos dourar a pílula. A situação do Rio é complexa. Qualquer um que prometa fazer qualquer coisa antes de sanear a situação financeira do estado está mentido. A primeira coisa a se fazer é renegociar novamente a dívida do estado trazendo um alongamento desses empréstimos”

EDUCAÇÃO

“Tenho preocupação com a educação e, principalmente, com a educação profissionalizante. Agora nós temos que criar a Universidade do Professor. A escola da forma como está não está mais atraindo o aluno. É grande a evasão escolar. A escola é analógica. O aluno está com outra cabeça. Está na sala de aula com o telefonezinho dele e está prestando atenção em outra coisa. Temos que digitalizar as nossas escolas e para isso precisamos de universidade aberta”

CREDITO PARA EMPRESAS

“É uma ilusão você achar que financiando grandes empresas vai trazer desenvolvimento. O melhor financiamento é o dado à pequena e média empresa. Elas geram mais emprego”.

CRÍTICA: O CALCANHAR DE AQUILES

Ao criticar a atual política de Segurança do estado, Anthony Garotinho afirmou ontem que o Rio “conseguiu um novo produto de exportação: bandido”. Segundo ele, os traficantes da capital se espalharam por outras regiões da capital e do estado — até em Campos dos Goytacazes, seu berço político.

Para exemplificar contou à plateia que pouco tempo atrás estava à beira do rio Paraíba, “tomando um ventinho”, quando passou um cidadão que o cumprimentou: “e aí Garotinho, tudo bem?”, disse o homem. “Tudo legal”, respondeu o ex-governador. Questionado se achava que era um assaltante, ele riu. “Não, calma. Você vai achar interessante a historia”, disse.

O candidato contou que perguntou ao interlocutor onde ele morava e quem era sua família. Segundo Garotinho, a resposta foi surpreendente. “Não sou daqui não. Sou do Complexo do Alemão, tô passando uma temporada aqui”, contou ele. “É isso: os caras ficam se deslocando porque não se prende bandido”, criticou Garotinho.

No entanto, ao ser questionado novamente se o homem era um criminoso, ele disse não ter certeza. “Tô te contando a história. Também não cabe a mim investigar se era ou não”, finalizou. O candidato lembrou que as UPPs foram inspiradas em projetos desenvolvidos no governo de Rosinha.

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