Por thiago.antunes

Rio - A 31 dias do primeiro turno das eleições, a campanha do petista Lindberg Farias atravessa uma crise. O desânimo tomou conta dos bastidores da candidatura e ficou patente durante o debate entre os candidatos ao Palácio Guanabara, promovido pela Rede TV!, o DIA e o portal iG, anteontem à noite. Ao se apresentar como o candidato da “nova política”, Lindberg surpreendeu seus correligionários e chegou a pedir votos para o adversário Marcelo Crivella, do PRB.

Diante da postura do rival, o governador e candidato à reeleição, Luiz Fernando Pezão (PMDB), aproveitou e confidenciou manter conversas com o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma Rousseff para ter o apoio do petista, num eventual segundo turno contra Anthony Garotinho (PR).

“Estou conversando com Dilma e Lula, que é um grande amigo. Fizemos uma grande aliança no primeiro turno, porque as pessoas acreditam no nosso governo. No segundo turno, eu terei a alegria de contar com o PT”, anunciou Pezão.

O candidato Lindberg Farias não consegue disfarçar o desânimo que tomou conta de sua campanhaAgência O Dia

O clima de “fim de festa” tomou conta da campanha de Lindberg depois da última pesquisa do Ibope, divulgada horas antes do início do debate. Ao contrário das expectativas dos petistas, as intenções de voto em Lindberg não aumentaram. Sinalizaram ainda uma derrota para Garotinho num eventual segundo turno.

“É, essa última pesquisa foi uma ducha de água fria em todo mundo”, admitiu um aliado do senador. O levantamento do Ibope apontou a estagnação de Lindberg, que desde o início oficial da campanha, em julho, não sai da casa dos 11%.

O desânimo dos petistas do Rio aumentou diante do crescimento da candidatura de Pezão que, no mesmo período, cresceu três pontos percentuais, indo de 15% para 19%. Diante do cenário eleitoral, Lindberg ensaia uma dobradinha com Marcelo Crivella, outro que oscilou apenas um ponto para cima entre julho e anteontem, angariando 17% dos votos. Garotinho segue na liderança com 27%.

Petista pediu votos para Tarcísio Motta ou Crivella durante o debate da Rede TV!

O ex-governador Leonel Brizola tem sido uma referência frequente nos discursos do candidato do PT, Lindberg Farias, ao longo da campanha, que colocou como prioridade a educação e a construção do que ele chama de Ciep do século 21, dois símbolos atrelados à lembrança do ex-governador. 

Em absolutamente todo discurso, Brizola é citado por Lindberg. E no debate de terça-feira, o ex-governador não só foi citado quando o assunto foi educação, como também foi impossível não relembrar sua participação num dos debates da campanha presidencial de 1989, quando viu suas chances de ir ao segundo turno diminuírem.

Brizola ao lado de Maluf%2C no debate para Presidência em 1989Reprodução

“Se você quiser, se esta for a sua consciência, não vota no Leonel Brizola. Aí tem gente digna, competindo leal e honestamente. Mas não vota nesses candidatos. Eles estão aí para te enganar e tudo continuar como está. Estão entregando este país. Escolha, entre nós, aquele que pode dizer um não que tu tens abafado no teu peito, um não rotundo contra tudo o que fizeram no país nestes 25 anos”, disse um emocionado Brizola.

Lindberg fez parecido na terça-feira, pedindo ao eleitor que não pretende votar nele ou que ainda está em dúvida em relação a quem votar para que votasse em Tarcísio Motta (Psol) ou Marcelo Crivella (PRB). “Não precisa votar em mim. Temos aqui o Tarcísio, o senador Crivella, o que não podemos é manter as coisas do jeito que estão”, disse, referindo-se a Pezão e Garotinho.

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