Prefeitos articulam ofensiva pró-Dilma no Rio

Base aliada da presidenta quer reverter o favoritismo de Marina Silva no estado e juntar candidatos ao governo com o mote do pré-sal

Por O Dia

Rio - Diante do crescimento de Marina Silva (PSB) nas pesquisas de intenção de voto no Rio de Janeiro, prefeitos da base aliada de Dilma Rousseff (PT) estão articulando uma ofensiva contra a candidata do PSB no estado.

A intenção é fazer uma força-tarefa para, além de agendar mais visitas da presidenta em solo fluminense, promover um ato unificado com a participação de Dilma e dos quatro principais candidatos ao governo - Anthony Garotinho (PR), Luiz Fernando Pezão (PMDB), Marcelo Crivella (PRB) e Lindberg Farias (PT) - todos apoiadores da candidatura da petista.

O discurso que unificaria os quatro rivais é a defesa do pré-sal. “Queremos mostrar que não se pode romper uma política que não é só do Rio de Janeiro, mas de todo o Brasil. O Brasil iria se expor ao ridículo”, afirma Alexandre Cardoso (sem partido), prefeito de Duque de Caxias.

Desde que divulgou seu programa de governo, Marina tem sido vista com desconfiança sobre seu comprometimento com o investimento em combustíveis fósseis, que representam a principal atividade industrial do Rio. A candidata afirmou que não pretende frear os projetos relativos ao pré-sal, mas o fato de ela considerar o petróleo um “mal necessário” tem sido usado como arma pelo PT. “Uma eventual vitória de Marina representaria a paralisia de uma atividade de emprego e renda no Rio”, atacou Rodrigo Neves (PT), prefeito de Niterói.

Procurados, Crivella e Garotinho afirmaram que participariam de um ato em favor do estado com seus concorrentes. Pezão afirmou, em nota, que “considera o pré-sal uma fonte importante para o estado e apoia iniciativas que defendam o pré-sal”. Lindberg, que tem uma relação estremecida com Dilma desde o início da campanha, disse que ainda não foi consultado formalmente sobre o encontro e não se posicionou.

No estado, a presidenta tinha a liderança nas pesquisas na semana passada, com 38% das intenções de voto, contra 30% de Marina. No levantamento divulgado terça-feira, as posições se inverteram. Marina subiu para o primeiro lugar, com 38%, e Dilma caiu para 32%.

Na tentativa de inverter novamente os resultados, Neves, Cardoso e outros prefeitos da base aliada, como Eduardo Paes (PMDB), do Rio, e Rosinha Garotinho (PR), de Campos, irão fazer reuniões semanais para avaliar a performance de Dilma no estado.

Além do ato em defesa do pré-sal, os petistas querem que a presidenta venha ao Rio pelo menos quatro vezes, ainda no primeiro turno. Ela está devendo agendas “solo” com os candidatos Crivella e Lindberg ( já houve compromissos com Garotinho e Pezão) e tem agendados um encontro com personalidades da área da cultura e outro com mulheres.

A avaliação é que a candidata priorizou o estado de São Paulo no início da campanha e que, neste momento, o ideal é intensificar as ações em Minas Gerais e no Rio, segundo e terceiro maiores colégios eleitorais do país. Na terça-feira, ela participou de eventos de campanha na capital mineira.

“O Rio pode fazer um contraponto importante ao conservadorismo de São Paulo”, afirma Neves.

Garotinho se compara a Jesus Cristo

Ao sustentar ontem que as denúncias contra ele na Justiça são calúnias, o candidato do PR ao governo do Rio, Anthony Garotinho, se comparou a Jesus Cristo.

“Isso é perseguição política. Se você quiser falar em processo, vamos voltar para a Bíblia. Você conhece alguém mais processado do que Jesus? Mais caluniado do que Jesus? Não vamos julgar as outras pessoas”, disse ele, em entrevista à rádio evangélica 93 FM.

Garotinho também criticou os ataques feitos pelo candidato do PRB, Marcelo Crivella, no mesmo programa, ao lembrar dos processos que Garotinho responde na Justiça.

“Não tenho condenação. Eu respondo a inquéritos abertos. O próprio Marcelo Crivella, quando estava no Ministério da Pesca respondeu a inquéritos, acusado de desviar dinheiro do ministério pro Bahia Pesca e de lá para a Fazenda Canaã que é ligada a ele e à Igreja Universal”, alfinetou Garotinho.

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