Por thiago.antunes

Rio - Três meses após o apoteótico lançamento do Aezão, o candidato a presidente Aécio Neves (PSDB) voltou ao Rio de Janeiro para uma caminhada em Campo Grande, na Zona Oeste, num clima bem diferente do vivido em junho, quando 1600 lideranças políticas de 17 partidos aliados ao governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) declararam apoio a Aécio em vez de Dilma Rousseff.

Em junho, com 22% da preferência do eleitorado na pesquisa do Ibope, Aécio se empolgou com o apoio recebido no Rio e demonstrava confiança em disputar o segundo turno. A queda nas pesquisas e a polarização entre Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB), no entanto, fez o Aezão minguar. Na última pesquisa do Ibope, o tucano foi citado por apenas 15% dos entrevistados. No Rio, o número é ainda menor: 9%.

Em vez dos 500 vereadores, 60 prefeitos, 40 vice-prefeitos, 17 deputados federais, 36 deputados estaduais e 30 presidentes de Câmaras Municipais que se reuniram num mega evento na Barra, o que se viu foram muitos seguranças abusando da truculência contra jornalistas, transeuntes e entre eles próprios, e poucas lideranças políticas.

Aécio Neves caminhou por ruas da Zona OesteFabio Gonçalves / Agência O Dia

Os dissidentes do PMDB que romperam com Dilma para lançar o Aezão estiveram limitados ao vereador Thiago K. Ribeiro e aos Picciani: o presidente do partido no Rio e candidato a deputado estadual Jorge Picciani, e os filhos Leonardo, deputado federal e candidato a reeleição, e Rafael, que também concorrerá a uma vaga na Alerj.

Do PSDB, esteve presente a deputada estadual Lucinha, que tem base eleitoral em Campo Grande. Os deputados Otávio Leite, Luiz Paulo Corrêa da Rocha, Andreia Zito e Gerson Bergher não compareceram. O candidato ao senado Cesar Maia, do DEM, esteve presente, mas sem o filho e deputado federal Rodrigo Maia. A falta de apoio não foi a única diferença entre os dois atos. A desorganização, diferentemente do que aconteceu em junho, foi a marca da caminhada. Aécio mal conseguiu cumprimentar os moradores, tamanho o empurra-empurra provocado pelos seguranças e cabos eleitorais contratados.

Num discurso improvisado de cerca de cinco minutos, prometeu ajudar o governo do Estado a levar uma UPP para o bairro, falou em ampliar a rede de saneamento básico no país. "Eu apresentei essa proposta lá atrás, pelo fim da reeleição. Eu acho que a presidente da República desmoralizou a reeleição. Mandato de cinco anos para todo mundo", disse, às pressas, um desconfortável Aécio, antes de buscar refúgio no carro que o levou para longe dali.

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