Por bferreira

Rio - A agência de classificação de risco para aplicação americana Moody’s anunciou ontem que mudou a nota do Brasil de estável para negativa, passando para Baa2. Apesar disso, o Brasil ainda conserva a classificação de grau de investimento — dada a países considerados seguros para investir, mas está a um nível para o chamado grau especulativo.

Entre as razões da mudança da nota do Brasil apontadas pela agência Moody’s, está a “redução contínua do crescimento econômico, que dá poucos sinais de voltar a seu potencial no curto prazo”. A agência citou ainda a “deterioração no sentimento do investidor”, que resultou em queda acentuada do investimento em máquinas, equipamentos e na construção civil, além da redução do PIB registrada no segundo trimestre.

A notícia é ruim para a campanha à reeleição Dilma Rousseff (PT), que tenta convencer os brasileiros e os investidores que os maus resultados são resultado da crise internacional. E virou motivo seus dois principais adversários, Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) criticarem a presidenta .

Em campanha em Goiânia, em Goiás, o candidato tucano disse que a revisão “é mais uma sinalização na direção de que o atual governo perdeu a capacidade de imprimir uma agenda positiva e apresentar algo novo” .

Ele aproveitou para comentar sobre a “falta de impacto” do anúncio da saída do ministro da Fazenda Guido Mantega em dezembro, “A descrença na equipe econômica é tão grande que ela fica escancarada agora pelo gesto da presidenta de demitir e manter no cargo o ministro da Fazenda e não acontecer nada, porque ninguém já acredita”.

Segundo o senador, o governo não tem mais uma equipe econômica. “Os agentes econômicos estão em contagem regressiva para o encerramento desse ciclo”.

O economista Alexandre Rands, um dos responsáveis pelo programa de governo do PSB, de Marina Silva, disse que a nota da Moddy’s para a economia brasileira não pode ser considerada um exagero ou radicalização da agência com o Brasil neste momento. “A Moddy’s fez algo compreensível e correto”.

Segundo ele, a classificação reflete a realidade da economia brasileira. “E, com o governo Dilma, a situação vai se deteriorar mais”, previu o economista.

Rands criticou também o que chamou de falta de transparência das contas brasileiras. “O Brasil precisa de transparência, consistência de longo prazo e adequação da política econômica”, afirmou ele.

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