Em ato de apoio a Dilma no Rio, Lula critica a imprensa

Evento concorrido reuniu intelectuais e artistas defensores da reeleição da presidenta

Por O Dia

Rio - Em um evento concorrido, a presidenta Dilma Rousseff (PT) recebeu na noite de ontem o apoio de intelectuais e artistas, no Rio. Com uma hora e meia de atraso, ela subiu ao palco do teatro Oi Casa Grande, no Leblon, quase às 21h, acompanhada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de militantes históricos do PT, como a filósofa Marilena Chauí e o teólogo Leonardo Boff.

Presidenta ensaia passos de dança de rua com jovens na Central Única das Favelas%2C em MadureiraCarlo Wrede / Agência O Dia

Em sua fala, Lula, que foi a grande estrela da noite, atacou a imprensa. Primeiro, reclamou que a Rede Globo não estava liberando artistas para campanhas.

Depois, criticou com veemência a conduta dos jornalistas. “Antigamente, os jornalistas perguntavam para a gente responder. Hoje, respondem para a gente perguntar. Eles não querem saber o que vossa excelência pensa, eles querem dizer para a sociedade o que eles pensam contra você. Aumentou a falta de respeito, falta de ética, a irresponsabilidade do papel do jornalista. A imprensa começa a perder o respeito quando deixa de cumprir o papel de informar a verdade, seja contra ou a favor. O que não pode é todo santo dia inventarem uma mentira contra essa mulher”, discursou Lula.

Ele defendeu a convocação de uma constituinte exclusiva para fazer a reforma política e a adoção do financiamento público das campanhas eleitorais. Aproveitou ainda para alfinetar Marina Silva (PSB), insinuando que sua tese de “nova política” é uma negação dos partidos e da própria política. Lula também ironizou a fala de Marina de que irá governar com os melhores quadros de cada partido. “Não dá pra falar 'vou pegar o mió do mió', igual jogador de futebol”, disse.

Antes das falas de Dilma e Lula, Marilena Chauí fez críticas à candidata do PSB. “Não consigo entender como alguém que não gosta de política pode aspirar ao posto mais alto da política. Se você não tem com você um partido, com programas e projetos, como é que vai fazer isso? Ou vai ser marionete ou tentar ser a imperatriz da China”, atacou. O público respondeu com o grito de guerra “ô, Marina é só caô”.

O músico Chico César e o teólogo Leonardo Boff também discursaram em favor da presidenta. Boff fez um longo discurso em defesa dos governos do PT, mas cometeu um ato falho ao se referir a Dilma como “presidenta Lula”.

Dilma foi recebida de forma efusiva pelos presentes, que lotaram o teatro . No palco, estavam as cantoras Elza Soares, Beth Carvalho e Alcione, o sambista Nelson Sargento, o músico Otto, o violonista Yamandu Costa e a escritora Nélida Piñon. Também estava Pablo Capilé, um dos idealizadores do movimento Mídia Ninja, que ficou conhecido como um dos porta-vozes dos protestos de julho em 2013.

Lindberg usa imagens com ex-presidente

Escanteado até a semana passada pelo comando nacional do PT, o senador Lindberg Farias exibiu ontem pela primeira vez, no horário eleitoral de TV, imagens da presidenta Dilma Rousseff de apoio a sua candidatura. O material foi gravado na sexta-feira, quando Dilma participou de carreata com o petista em São Gonçalo.

Ontem, Lindberg teve ao seu lado, pela primeira vez desde o início da campanha, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em ato de defesa do pré-sal. O petista não teve, porém, o tão almejado pedido de voto da boca do ex-presidente. No discurso de mais de 20 minutos de Lula, em nenhum momento o senador foi lembrado. Mas Lindberg vai usar as fotos e as imagens em seu programa eleitoral na TV, já que caminhou da Cinelândia até a sede da Petrobras ao lado de Lula.

Com as imagens, o comando da campanha do petista espera fixar no eleitor do PT a ideia de que Lindberg é o candidato do partido. Nas pesquisas de intenção de votos sobre a disputa pelo governo do estado, Lindberg aparece em quarto.

Presidenta critica as propostas de Marina e de Aécio

A presidenta Dilma Rousseff (PT) disse ontem que a proposta de seus dois principais adversários — o tucano Aécio Neves e Marina Silva (PSB) — de reduzir o número de ministérios é um “verdadeiro escândalo”. Em discurso na sede da Central Única das Favelas (Cufa), em Madureira, ela defendeu algumas de suas pastas que, segundo disse, querem acabar, como a de Defesa da Mulher, Igualdade Social, Micro e Pequena Empresa e da Aviação Civil.

“Tem gente querendo reduzir ministérios. Um é o da Igualdade Racial, outro o que luta em defesa da mulher e o que eles também não gostam muito é o de direitos humanos. Além do Ministério da Micro e Pequena Empresa, que deu grande contribuição, e o da Aviação. Não ampliamos os aeroportos para a Copa e sim porque precisamos, porque pessoas da favela, que antes eram pobres, agora viajam de avião”.

Dilma respondeu também a críticas de seus adversários sobre a Petrobras. Recentemente, Aécio Neves declarou que pretende “reestatizar” a empresa. Já Marina disse que o PT nomeou o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa ao cargo para assaltar a estatal. “O candidato que diz que vai reestatizar a Petrobras é aquele que quis privatizar e trocar o nome de Petrobras para Petrobrax porque soava melhor aos ouvidos estrangeiros. Lamento o que falou a outra candidata, porque dos 12 anos aos quais ela se refere, em oito ela estava no governo (..). É uma fala que não é de muito alto nível. Lamento essa fala”, afirmou.

Dilma voltou a se defender das denúncias contra a Petrobras, afirmando que “quem não investiga, não descobre” e que “em qualquer empresa pode haver malfeitos”. A presidenta afirmou também que é a favor da uma reforma política, mas sugeriu que deve ser feito um plebiscito para saber o que o povo deseja mudar. (Constança Rezende)

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