Por thiago.antunes

Rio - O prefeito Eduardo Paes (PMDB) afirmou ontem que os arrastões nas praias da Zona Sul, no último final de semana, podem ter sido orquestrados por traficantes para tentar desestabilizar a reeleição ao governo do Rio do correligionário Luiz Fernando Pezão. A declaração foi feita durante visita à obra do Túnel do Engenho Velho, em Sulacap, na Zona Oeste.

“Tem gente incomodada com a possibilidade de reeleição do governador Pezão, que é o que eu acho que vai acontecer. Esses arrastões podem ter relação para desestruturar a reeleição do Pezão, que tirou uma parte importante do lucro desses criminosos”, disse Paes, ao fazer menção às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). “Daqui a pouco todos os bandidos do Rio vão fazer boca de urna para não votar no Pezão”, completou. Questionado se havia alguma motivação política dos partidos ligada aos arrastões, Paes foi enfático: “Não consigo acreditar que tenha candidatos a governador com grau de delinquência tão grande”.

Durante visita à obra do Túnel do Engenho Velho%2C o prefeito do Rio diz que “tem gente incomodada com a possibilidade de reeleição de Pezão”Fabio Gonçalves / Agência O Dia

Segurança

Em entrevista ao RJ-TV, Pezão defendeu as ações do governo de combate às milícias. “Nós prendemos, nesses sete anos e dez meses de governo, todos os chefes de milícia que tinham sido colocados no relatório da CPI. Há 15 dias, prendemos 21 milicianos e 21 traficantes”, disse. O governador prometeu ainda que outras comunidades comandadas por milicianos serão ocupadas pela polícia, caso seja reeleito.

Pezão evitou, no entanto, responder se vai exonerar o comandante-geral da Polícia Militar, coronel José Luís Castro. Um esquema de corrupção foi descoberto anteontem no alto escalão da corporação — o chefe do Comando de Operações Especiais, Alexandre Fontenelle, foi preso e é acusado de cobrar propina de motoristas de transporte alternativo. “Quem determina quem tem que ser punido é o secretário José Mariano Beltrame. Nós damos autonomia a ele”, disse o governador.

Em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, o senador Marcelo Crivella, do PRB, partiu para o ataque e afirmou que há uma “república dos espertos e malandros” instalada no Rio. Em caminhada na Praça General Osório, em Ipanema, Crivella disse que “políticos roubam, enriquecem e não são punidos”. “Pelo contrário, galgam cargos maiores e se perpetuam no poder”, argumentou. Ele defendeu que a solução para o fim da corrupção nas polícias Militar e Civil passa pelo “bom exemplo” dos políticos.

Empatado com Pezão na liderança pelo Palácio Guanabara, Anthony Garotinho, do PR, não fez campanha ontem sob a alegação de “indisposição física”. Anteontem o ex-governador também não teve agenda pública e hoje ele cancelou a participação em sabatina no jornal ‘O Globo’.

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