Marina Silva propõe 'criação de conselho de responsabilidade fiscal'

Em sabatina no Bom Dia Brasil, candidata do PSB à presidência disse que conselho seria complementar ao TCU

Por O Dia

Rio - A candidata Marina Silva (PSB) foi a última presidenciável entrevistada pelo Bom Dia Brasil, da TV Globo, que foi ao ar na manhã desta quinta-feira. Na sabatina, Marina criticou a política econômica adotada pela atual presidenta Dilma Rousseff, que tenta a releição, a chamando de "aventureira", falou sobre sua meta de inflação, bancos públicos, agronegócio, transgênicos e foi questionada sobre o seu choro durante uma entrevista após falar de Lula.

Na entrevista, a candidata à presidência defendeu a criação de um "conselho de responsabilidade fiscal", órgão independente que verificaria as contas do governo e daria mais transparência aos gastos públicos, evitando o desperdício. O Tribunal de Contas da União já é responsável por fiscalizar as contas do governo e, segundo Marina, o conselho seria complementar ao trabalho do TCU. 

Marina Silva participou de sabatina nesta sexta-feira no Bom Dia Brasil%2C da TV GloboReprodução TV Globo

"Hoje o governo gasta de forma ineficiente. Você tem projetos que começam com R$ 6 bilhões, vão sendo reajustados para 10, 20, 30... E, se nós tivéssemos um conselho de responsabilidade fiscal, o governo seria cobrado para evitar este tipo de desperdício", disse.

Marina disse que pretende manter a meta de 4,5% ao ano da inflação, diferente do proposto por Eduardo Campos, morto em acidente aéreo em agosto deste ano, que deixar a meta abaixo deste patamar. A candidata criticou a política econômica do atual governo e chamou Dilma de "aventureira".

"Nós não vamos nos aventurar em política econômica, não vamos inventar a roda. (...) A presidente Dilma é que se aventurou e agora nós temos o nosso país com baixa credibilidade, pouco investimento, juros altos", afirmou Marina. Ela assumiu o compromisso com o chamado "tripé econômico", receita criada nos anos 90 que combina responsabilidade fiscal, câmbio flutuante e regime de metas de inflação, que foi seguida até a gestão do presidente Lula, segundo ela.

?CONFIRA OUTROS DESTAQUES DA ENTREVISTA

?Bancos públicos

?Marina negou que vai enfraquecer a finalidade social dos bancos públicos, como financiar a agricultura e o programa Minha Casa, Minha Vida. "O que enfraquece os bancos é pegar o dinheiro do BNDES e dar para meia dúzia de empresários; uma parte deles falida, alguns que deram, enfim, um sumiço em bilhões de reais do nosso dinheiro... Esses sim, nós vamos parar com o mau uso".

?Agronegócio

?A candidata rebateu as críticas de que teria "travado" os licenciamentos ambientais quando foi ministra do Meio Ambiente no governo Lula, dizendo que "mais complexas" foram feitas. Marina disse que não vai proteger ambientalistas em detrimento da infraestrutura ou do agronegócio. Ela respondeu que as áreas são "incompatíveis" e que os conflitos podem ser "remanejados".

“O problema do agronegócio não é proteção do meio ambiente, não são índios e quilombolas. É a falta de infraestrutura, de hidrovias, de ferrovias, de termos estradas adequadas para o transporte, armazenagem e portos”

?Choro ao falar de Lula

?A presidenciável comentou sobre o choro durante uma entrevista ao falar de Lula. Ela negou que se tratar de fragilidade e disse que apenas é "sensível". “Eu sou uma pessoa sensível, mas não se pode confundir sensibilidade com fraqueza. As pessoas que não se deixam emocionar, essas sim podem ser muito fracas”, frisou.

“Ter enfrentado cinco malárias, três hepatites, uma leishmaniose, perder a mãe aos 14 anos, ter sido alfabetizada aos 16 anos, ter passado o que eu passei, vir me dizer que isso é fragilidade e não me pedir para não ter emoções, sinceramente... Já vi tantos líderes chorando e não é por isso que são mais fracos ou menos fracos”, disse, lembrando do próprio Lula, que chorou em sua posse.

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