Por bferreira

Rio - Assim que foi divulgada a pesquisa do Datafolha na noite de sexta-feira, muita gente começou a apostar na possibilidade de vitória da presidenta Dilma Rousseff já no primeiro turno. Ela apareceu em alta, com 40% das intenções de voto, e Marina Silva confirmou a tendência de baixa, ao cair de 30% para 27%. Aécio Neves subiu muito pouco, de 17% para 18%. Os demais candidatos somaram 4%. Ao todo, são 49% contra 40% da presidente. Mas como o voto de milhões de eleitores ainda deve flutuar nesta última semana de campanha, Dilma poderá subir ainda mais, a ponto de ultrapassar a soma de voto de seus adversários. Se alcançar os 50% mais um dos votos válidos, sairá vitoriosa no próximo domingo. Resta saber se os eleitores vão se comportar como as projeções das calculadoras. Afinal, as eleições têm uma carga de emoção que a matemática não tem.

Nestas horas de incerteza, o melhor a fazer é ouvir a palavra de quem está com a mão na massa. Mal saíram do forno os números do Datafolha, consultei um dos maiores especialistas em pesquisa do país e ele foi taxativo: “Em minha opinião, não há a mínima chance de Dilma se eleger no primeiro turno”. Mais não disse, justificando que as famílias iriam se reunir no fim de semana, trocar ideias sobre os candidatos e os votos poderiam ser transferidos de um candidato para outro. Explicou também que estão agendados debates na TV e várias pesquisas serão divulgadas na reta de chegada. Lá pela sexta-feira, será possível fazer comentários mais perto da realidade. Por enquanto, é grande a margem de erro nas previsões.

Na campanha de Dilma, a ordem é fazer de tudo para tentar ganhar logo no primeiro turno. A agenda da candidata oficial está tomada de compromissos. Hoje, Dilma tem comício em Campo Limpo, bairro popular da Zona Sul de São Paulo, com o ex-presidente Lula dividindo o palanque. Amanhã, ela desembarca no Rio de Janeiro. Depois, a presidenta permanecerá em Brasília preparando-se para o debate final na TV Globo, na noite de quinta-feira. A campanha prossegue, na sexta e no sábado, mas sem carro de som como determina a lei eleitoral. Paralelamente aos movimentos de Dilma, o PT vai reforçar a campanha sindical “Nem que a vaca tussa” contra a proposta de mudanças na CLT apresentada pela ex-ministra Marina Silva. A cúpula do partido também pedirá à militância para sair às ruas.

Como o seguro morreu de velho, o PT não perde tempo e já encomendou as primeiras peças para a campanha do segundo turno. O material está sendo produzido, mas a cúpula do partido não vê problemas. Explica que, se a vitória de Dilma vier neste domingo, o material será reciclado. “Somos um partido sustentável”, brinca um dirigente petista, animado com as últimas pesquisas de opinião. Obviamente, os principais adversários não estão de braços cruzados. Marina Silva, por exemplo, estará hoje em Recife, num comício ao lado da família de Eduardo Campos. E o tucano Aécio Neves, que não perdeu as esperanças, dá plantão em São Paulo, na tentativa de pegar carona no favoritismo do governador Geraldo Alckmin.

O segundo turno, caso se confirme, será outra história. Basta comparar a simulação do Datafolha no Rio, onde o governador Luiz Fernando Pezão tem folgados 54% contra 30% de Anthony Garotinho, com a pequena margem de quatro pontos que separa Dilma de Marina, 47% contra 43%. Haja material de campanha!

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