Por felipe.martins

Rio - A cinco dias do primeiro turno das eleições, as candidatas à Presidência da República Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) acirraram a disputa pelo voto evangélico. Enquanto a página oficial da presidenta, no Facebook, afirma que lideranças evangélicas reunidas em São Paulo decidiram apoiar sua reeleição, a Convenção Batista Brasileira, grupo que congrega 3,7 milhões de pessoas, está em jejum por causa das eleições, e particularmente pela candidatura de Marina.

“São oito dias. São 192 horas ininterruptas de intercessão pelo Brasil”, explica ao DIA a pastora Valnice Milhomens, uma das articuladoras do movimento. Amiga há 12 anos da ex-senadora Marina Silva, a pastora é responsável ainda por dar suporte espiritual à presidenciável do PSB.

Parte da Igreja Assembleia de Deus, à qual a candidata pertence e reúne 12,3 milhões de seguidores, também aderiu ao chamado, tal qual outras denominações menores, como o Ministério Internacional da Restauração, com 30,6 mil fiéis.

A corrente de oração e o “movimento de união” pela candidata do PSB ocorre após encontro, na sexta-feira em São Paulo, entre Marina Silva e cerca de 300 pastores de várias denominações. Na ocasião a ex-senadora, no entanto, defendeu o estado laico.

Dilma garante, no entanto, que também recebe apoio da comunidade. E postou no Facebook depoimentos de pastores favoráveis à sua reeleição. “Dilma e Lula fizeram com que a sociedade deixasse de ser uma pirâmide social e se aproximasse de um losango. Por isso, não estamos aqui para converter, estamos aqui como cristãos para participar de um governo coerente”, afirmou o pastor Rogerio Barrios. “É inevitável perceber que a política do PT é feita para o Brasil e para o brasileiro.”

Pastores discordam

O ‘reforço’ à campanha de Marina Silva por meio de jejum é visto com ressalvas pelo pastor da Igreja Cristã Contemporânea, Marcos Gladstone. “O jejum deve ser feito quando a gente se consagra a Deus por um motivo espiritual, não para político vencer eleição. Distorceram o evangelho. É um jejum tolo”, disse.
Já o teólogo e pastor da Igreja Presbiteriana, Marcos Botelho, tem opinião mais moderada.
“(jejuar) É um costume que vem do Antigo Testamento. Cada um jejua pelos motivos que quiser, como por um indivíduo.”

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