Por felipe.martins

São Paulo - Depois de polarizar a disputa com o PT por duas décadas e cinco eleições presidenciais, o PSDB encontra-se num labirinto diante da possibilidade de fracasso da candidatura presidencial do senador Aécio Neves, conforme apontam os institutos e analistas de maior credibilidade no mercado. Na derradeira cartada que jogará esta semana, está na mesa o tema mais impertinente aos tucanos: compor com a candidata do PSB, Marina Silva, para tentar derrotar o arqui-inimigo PT e voltar ao poder como coadjuvante preferencial da neosocialista ou se reconstruir como força de oposição - algo que o partido teve dificuldade em exercer nos 12 anos dos petistas no Palácio no Planalto.

Em meio ao debate do último domingo à noite, na TV Record, o deputado José Aníbal (PSDB-SP) disse que ainda há esperança de uma reação de Aécio esta semana. Taxativo, ele garantiu que o partido não discutirá alternativa antes de contabilizados os votos do primeiro turno.

“O foco agora é a campanha do Aécio. A eleição será decidida esta semana”, afirmou.

O candidato tucano, por sua vez, afirma que as pesquisas internas apontam seu crescimento e deverá subir o tom contra Dilma e Marina nos últimos dias do horário eleitoral gratuito.

Aécio precisou da ajuda de cabos eleitorais para abafar um princípio de vaia quando deixava a barca com destino ao bairro de IcaraíFabio Gonçalves / Agência O Dia

Diante da incômoda pergunta sobre a possível derrota, ele virou as costas e chacoalhou negativamente a cabeça para dizer que não leva em conta a hipótese de ficar pelo caminho.

As últimas pesquisas mostram Marina caindo e uma leve alta de Aécio, enquanto Dilma dispara na frente. Mas tanto a ascenção do tucano quando a queda de Marina estão acontecendo em ritmo lento, dificultando a probabilidade de uma inversão de posições com menos de uma semana para o primeiro turno.

Na pesquisa CNT/MDA da última segunda-feira (29), Dilma tinha 40,4% das intenções de voto, seguida de Marina, 25,2%, e Aécio, 19,8%. No Datafolha de sexta-feira (26), a petista tinha 40%, a candidata do PSB, 27%, e o tucano, 18%.

“Como Fênix, o PSDB terá de renascer das cinzas”, diz o cientista político Gaudêncio Torquato, para quem os tucanos não terão outra opção que não seja, no segundo turno, aliar-se ao PSB para tentar uma difícil transferência dos votos que Aécio tiver no primeiro turno, caso a tendência verificada nas pesquisas se mantenha até o próximo domingo (05)

As pontes que os ligavam ao PT no passado, observa Torquato, foram todas dinamitadas. Segundo ele, os tucanos perderão cadeiras no Congresso e, passada a eleição, na hipótese de Marina vencer, retomariam parte do poder. Caso Dilma se reeleja, restaria como alternativa a fusão com outros partidos, como o DEM e o PPS, e a difícil reconstrução como oposição. O cientista político diz que o PSDB paga caro por ter permanecido em cima do muro. “Sempre tergiversando, falando pela lateral, sem foco, o PSDB não soube ser oposição”, critica o cientista político.

A opção do senador mineiro em formar uma chapa puro-sangue, com o senador Aloysio Nunes Ferreira como vice -- reeditando a velha política do café com leite --, segundo ele, não agregou votos à chapa tucana. “O leite estava passado e o café ficou amargo”, ironiza Torquato, lembrando da prática de unir um paulista e um mineiro numa candidatura presidencial.

Você pode gostar