Acusações, corrupção e ânimos exaltados protagonizaram debate presidencial

Aécio Neves, Dilma Rousseff, Marina Silva, Eduardo Jorge, Levy Fidélix, Luciana Genro e Pastor Everaldo participaram de último encontro entre candidatos à Presidência da República

Por O Dia

Rio - A troca de ataques, principalmente sobre o tema da corrupção, dominou o último debate dos candidatos à Presidência, exibido ontem na Rede Globo. No encontro, a polarização entre Dilma Roussef (PT) e Marina Silva (PSB) deu lugar a uma triangulação com Aécio Neves (PSDB). O tucano se aproximou de Marina na última semana, segundo as pesquisas do Datafolha e Ibope, e a rivalizou com as duas no encontro na TV.

No primeiro bloco,Dilma foi confrontada sobre as denúncias na Petrobras por Luciana Genro (Psol). “Eu demiti esse diretor que está envolvido nesse escândalo e autorizei que houvesse ampla e total abertura nas investigações”, disse ela, se referindo a Paulo Roberto Costa, acusado de desviar dinheiro na estatal.

Confronto entre G3 e nanicos esquentam debate presidencialErnesto Carriço / Agência O Dia

Logo em seguida, Pastor Everaldo (PSC) fez uma dobradinha com Aécio e levantou o tema novamente para que ele pudesse atacar. O tucano acusou Dilma de mentir sobre a demissão de Costa, já que a ata do conselho da estatal registra que ele renunciou ao cargo. “A ata diz que o diretor renunciou e pasmem, senhoras e senhores, ainda recebeu elogios pelos relevantes serviços prestados à companhia”, disse Aécio.

Mais à frente, Dilma leu parte do depoimento de Costa onde ele disse ter sido demitido, mas fez um acordo para assinar uma carta de demissão. “No serviço público, se dá o direito de a pessoa pedir demissão quando se afasta do cargo. Os fatos são esses e insistem em dizer que não são. É má fé”, defendeu-se Dilma.

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Aécio também se atracou com Marina quando insinuou que ela foi conivente com o escândalo do mensalão na época em que ainda estava no PT. O candidato questionou “onde estava a nova política” na época do escândalo.

Marina contra-atacou lembrando que Aécio milita em um partido que foi acusado de diversos escândalos. “Vossa excelência esteve dentro de um partido que praticou o mensalão. Eu saí do PT exatamente para manter minhas convicções. Não vi você fazer nenhuma crítica ao expediente da reeleição”, afirmou, lembrando do escândalo de compra de votos para aprovar a emenda da reeleição, no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Ainda no tema da corrupção, Luciana Genro teve um momento de tensão com Aécio quando o questionou sobre a construção de um aeroporto na cidade de um familiar. Aécio se irritou na resposta afirmando que ela era leviana e despreparada. “Não coloque o dedo na minha cara!”, disse Luciana, quando o candidato colocou o dedo em riste.

Homofobia

Outro momento quente foi protagonizado por Eduardo Jorge (PV) e Luciana Genro, que acusaram Levy Fidelix (PRTB) de promover o discurso homofóbico no debate da Record.Na ocasião, Fidelix criticou os gays e pediu “coragem” para enfrentá-los. “Vamos ter coragem, nós somos maioria, vamos enfrentar essa minoria”, disse.

Eduardo Jorge (PV) propôs a Fidelyx que ele pedisse “perdão” ao povo brasileiro. Fidelyx reagiu com agressividade. “Você não tem moral nenhuma. Você propõe que o jovem consuma maconha, isso é apologia ao crime”, afirmou. “Então vamos nos encontrar na Justiça, quando o Ministério Público abrir um processo contra você. O senhor envergonhou o Brasil”.

Ilustres acompanham Aécio Neves

O candidato Aécio Neves se cercou de ilustres no debate de ontem. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que esteve ausente de boa parte da campanha, foi um deles. “Eu queria aproveitar para agradecer a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aqui, o que muito nos honra”, disse Aécio Neves, durante o debate.

O ex-presidente do Banco Central no governo FHC Armínio Fraga, cotado para ser ministro da Fazenda em caso de vitória de Aécio, também acompanhou o candidato. Durante a gestão de Fraga no Banco Central, a taxa de inflação média foi de 8,78%, mais do que o dobro da atual, que está em 4,02%. A taxa de juros esteve sempre acima de 19%, quase o dobro da atual, que está em 10,90%.

Também estiveram com Aécio Neves o ex-jogador Ronaldo Fenômeno, que neste ano tornou-se crítico feroz da gestão Dilma Rousseff, o coordenador da ONG AfroReggae, José Junior, e o cantor e compositor Fagner. Quem também fez sucesso no estúdio foi o candidato do Psol ao governo do Rio, Tarcísio Motta, destaque do debate da última terça-feira, e nas redes sociais nos últimos dias devido às fotos em que aparece fantasiado de Mulher Maravilha no Carnaval carioca.

Bonner implacável

No comando do debate, o apresentador Willian Bonner, do Jornal Nacional, foi rigoroso no controle do evento. Quando o candidato Pastor Everaldo tentou driblar uma regra, não se atendo ao tema sorteado para uma pergunta, Bonner o interrompeu e o fez cumprir o pré-estabelecido.

O episódio ocorreu no segundo bloco, em que os candidatos faziam perguntas sobre temas sorteados pelo apresentador. Everaldo escolheu questionar Aécio, e foi informado de que deveria fazer uma pergunta sobre previdência. Mas decidiu perguntar a opinião do tucano sobre o "Programa de Aceleração da Corrupção", em referência ao Programa de Aceleração de Crescimento (PAC).

"Peço licença", disse Bonner, mostrando novamente o papel sorteado que mostrava a palavra "previdência". "O senhor pode fazer uma pergunta, pastor, sobre previdência, em respeito às regras do debate."

Rindo, Everaldo lançou a Aécio: "O que o senhor quer dizer sobre a Previdência do Brasil?".

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