Por bferreira

Rio - Atire a primeira pedra quem nunca reclamou de ter que assistir ao horário eleitora, apesar da sua importância para um voto responsável. Seja pela falta de perspectiva com a política ou por atrasar a exibição do programa de TV favorito, para quem já definiu as suas escolhas de voto, o intervalo da propaganda partidária, que acaba hoje, foi aproveitado para adiar a volta para casa.

E restaurantes, bares e shoppings centers viram o movimento aumentar. Mas acredite: são os motéis que registraram as maiores altas em relação ao fluxo habitual, com até 25% de crescimento. Sim, tem quem visse nesse o momento ideal para apresentar a sua ‘plataforma’ e conquistar o ‘eleitorado’.

É o que afirmaram os gerentes de alguns dos principais endereços da cidade. A empolgação dos empresários do setor foi tão grande que campanhas publicitárias foram elaboradas a fim de atrair público no período de 13h às 13h50 e entre 20h30 e 21h20.

No Corinto, no Andaraí, a procura adicional de 20% veio a reboque de uma estratégia implantada nas redes sociais. “Nosso público parece já decidido quanto ao voto e procura algo mais ‘prazeroso’ para fazer. O retorno foi fantástico”, diz o gerente de Marketing da rede, Fábio Barreto, que refutou o rótulo de campanha politicamente incorreta.

“Se tivéssemos novos rostos na política e o público visse horizonte, certamente não teríamos êxito tão grande. Contudo, não proibimos que ninguém assista aos programas eleitorais. Temos camas, banheiras e TVs. Só não acredito que alguém opte pelo horário eleitoral num motel”, se diverte. Para um frequentador da casa que preferiu não se identificar, o hábito apenas se acentua nessa época.

“Não acredito que alguém venha ao motel somente por isso. Mas o que vejo por aqui é melhor do que os rostos dos candidatos”, ironizou. No Vip’s, em São Conrado, o crescimento, de acordo com a direção, foi ainda maior: 25%, apesar das diárias variarem entre R$ 385 e R$ 1.040. “Já contamos com o faturamento extra em setembro, de dois em dois anos”, contou o gerente de reservas da casa, Reginaldo Santana.

Êxito similar foi registrado no Panda, em Botafogo, com 10%. Curiosamente, nenhum dos estabelecimentos consultados oferecia descontos nesse período do ano. Entre os principais shoppings cariocas também foi confirmado o aumento no fluxo de consumidores. Porém, os números oficiais — que segundo administradores giraram em torno de 15% — não foram informados pelos administradores por questões de segurança.

Política se discute no bar

Outro destino de quem quis fugir da propaganda eleitoral foram os bares. Na Lapa, o casal Yvie Nascimento, de 33 anos, e Firmo Diniz Neto, 34, que mora na região, aproveitou o intervalo para esticar a happy hour no bar Só Kana. Firmo, que é vigilante, contou que assistiu à propaganda apenas uma vez e não gostou. “No bar, com os amigos, acabamos discutindo sobre os candidatos. É mais produtivo”. Já Yvie disse que aproveitou o intervalo para resolver pendências. “Hoje estou no bar. Às vezes, lavo louça, estendo roupa. Adianto tudo antes de assistir à novela”, contou.

No Bar da Boa, na Lapa, o gerente Pedro Tibau notou aumento de 15% no movimento desde o início do horário político. “Temos música ao vivo e a TV fica ligada em canais de esporte. Não fazia sentido deixarmos na TV aberta, porque nem daria para ouvir os candidatos”, explicou o gerente. A estudante de enfermagem Mariana Marques, 20, também fugiu da exibição da plataforma eleitoral dos políticos. “Vimos alguns candidatos bizarros, não dava para levar a sério”, disse a estudante.

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