Por thiago.antunes

Rio - A biometria na cidade de Niterói atrasou a apuração dos votos no Rio de Janeiro, que foi o último estado a encerrar a votação. Em algumas urnas, como a do Rio Cricket, eleitores levaram até três horas nas filas. No Clube Central, por exemplo, os portões fecharam às 17h, mas por volta das 19h ainda havia movimento de votação.

A fisioterapeuta Ana Maria Fleure tentou ir às urnas pela manhã%2C mas desistiu por causa da demora Alexandre Vieira / Agência O Dia

Mesários afirmaram que já tinham sido orientados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto aos transtornos que poderiam ocorrer. Esta foi a primeira eleição em que o sistema biométrico foi usado na cidade. A professora universitária Darisa Matos, 58 anos, que vota há 40 anos no Colégio Nossa Senhora de Assunção, em São Francisco, nunca encarou tanta fila para votar. “É a primeira vez que encontro tanta gente na minha frente”, contou a eleitora.

Ana Maria Fleure, 43, não aprovou a mudança. “Eu vim de manhã, mas a fila estava insuportável. Tive que voltar agora de tarde”, reclamou a fisioterapeuta. Em meia hora, Ana andou apenas alguns metros.
Mesários, secretários e presidentes das seções também tiveram que ter muita paciência nessas eleições na cidade. Para Douglas Paz, 21, que trabalhou pela primeira vez como mesário, o sistema biométrico foi “horrível”.

A demora gerou tensão e intolerância com o direito de preferência a idosos, principalmente no Ciep Leopoldo Fróes, no Largo da Batalha, onde o estudante trabalhou. “A ideia é boa, mas não funcionou. Muitas pessoas tiveram que assinar o nome no livro pois a máquina não lia as digitais”, informou o rapaz. No Ciep, Jorge de Oliveira, 47, estava irritado com o tamanho da fila, quando o relógio já marcava 17h20. “Já estou há uma hora e meia aqui. Isso é uma falta de respeito. Muita gente desistiu de votar.”

Josefa da Conceição, 59, também estava insatisfeita. “Esses políticos não estão valendo essa fila. Daqui a pouco vou desistir e pagar multa”, lamentou a aposentada. Mesmo com as reclamações que vinham das zonas, a diretora-geral do TRE, Adriana Brandão, disse que o processo de biometria ser mais demorado “é absolutamente normal”. Ela explicou que, quando há dificuldade da coleta de digital, o mesário precisa conferir até oito vezes. “Só depois o presidente da mesa, através de uma senha, tem a autorização de liberar o eleitor a votar”, contou.

Antes de colocar o dedo no aparelho, idosos e pessoas que transpiram muito nas mãos tinham que limpar a ponta dos dedos com álcool em gel. Se não desse certo, aí o mesário passava uma flanela no leitor óptico. Após a terceira ou quarta tentativa, era a vez de passar o dedo numa tolha úmida. Se nada funcionasse, a pessoa era obrigada a voltar ao método tradicional.

Mesários são proibidos de pegar na mão dos eleitores

Em entrevista coletiva, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dias Toffoli, admitiu os problemas por causa da identificação biométrica. De acordo com ele, os mesários receberam treinamento, porém são proibidos de pegar na mão do eleitor para tentar auxiliar no processo.

“Se o eleitor precisar perder cinco ou dez minutos, o que nós temos de garantir é que ele vote”, disse, lembrando que a apuração dos votos não pode ser tratada como uma competição entre os estados.
Toffoli comparou as cidades que tiveram o sistema biométrico pela primeira vez como uma pessoa que compra um carro novo. A justificativa é que na primeira vez que o motorista entra no carro ele não tem familiaridade com o equipamento. “A gente pode encontrar em uma seção ou outra uma maior fila, mas não é algo generalizado. Às vezes, em algum lugar pode demorar um pouco mais”, completou.

Reportagem de Isabela Borges

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