Por thiago.antunes

São Luís -  Eleito em meio a uma campanha difamatória que chegou a acusá-lo de estar por trás dos ataques a ônibus que continuam a acontecer no estado, supostamente por ordem do crime organizado, Flávio Dino, do PCdoB, comparou seu triunfo nas urnas neste domingo à campanha das Diretas Já. Na ocasião, o Brasil se mobilizou, nos anos 1980, para pôr fim à ditadura. Dino, que recebeu 64% dos votos e derrotou Lobão Filho (PMDB), filho do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, foi votar num microônibus.

“Naquela campanha (Diretas Já), superamos a ditadura. Nesta, derrotamos a longa noite oligárquica e coronelista que dominou a política maranhense”, disse, referindo-se ao clã Sarney, que administra o estado desde a eleição para governador de 1965 — ano em que José Sarney venceu o pleito e deu início à Era Sarney no estado. Dino recusou-se a furar a fila ao chegar à seção eleitoral e optou por se posicionar atrás dos que estavam preparando-se para votar.

Dino e a esposa durante a votação histórica que derrotou Lobão FilhoEstadão Conteúdo

O candidato do PCdoB repudiou as insinuações feitas por Sarney, de que estaria por trás dos ataques do crime organizado aos ônibus da capital. “Não estamos mais dando ouvidos a esse tipo de ataques, fruto de desespero eleitoral”, disse o candidato. Dino referia-se a um artigo escrito por Sarney no jornal de sua família, em que fez a acusação.

“Espero que a partir de agora o grupo que está no poder tenha uma atitude mais digna e democrática, e que seus integrantes aceitem o resultado popular”, afirmou. O candidato do PCdoB teve o apoio de dissidentes do PT. “Hoje viramos a página do passado. Nosso Estado finalmente entra no século 21”, decretou, após ter seu nome confirmado.

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