Os maiores desafios para o novo governador

Saúde, segurança e dívida pública na lista de prioridades

Por O Dia

Rio - Ficar à frente da gestão do estado significa enfrentar obstáculos que vão muito além dos tradicionais gargalos sobre a política de segurança pública. O governador vai se deparar com uma dívida pública que só vem crescendo sequencialmente desde 2000 e já chegou aos R$ 73,7 bilhões, em agosto. O contraponto é que a defasagem receita-dívida tem caído, já que se tem arrecadado mais. Na Saúde, os problemas passam pela necessidade de aumentar o número de leitos, melhorar o atendimento nos postos e Clínicas da Família, além de investir em planos de carreiras, contratações e salários dos profissionais do setor.

“O funcionamento desses postos é precário. Agora, o que isso significa? De uma maneira geral, que é preciso aumentar os leitos e, especificamente, os de terapia intensiva, que tem um déficit de 200 unidades por dia. Quando se aumentam os leitos, se esvazia um pouco as emergências”, explicou o presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), Sidnei Ferreira. Atualmente, segundo a secretaria estadual de Saúde, existem 3.169 leitos nos hospitais, sendo que, em 2006, essa quantidade era de 1.974.

O RESGATE DA PACIFICAÇÃO


A violência crescente em áreas de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) também deve exigir um projeto mais elaborado para que não haja um retrocesso na política de segurança pública. “É preciso um plano de gestão, baseado em diagnósticos, em que se devem apontar os verdadeiros problemas, materializar ações, estabelecer prazos, publicar e prestar contas. Na minha visão, não poderia ter mais do que 20 UPPs, porque hoje um grande desafio é com a administração das estruturas. Muitas unidades não têm instalação física adequada. No entanto, apesar dessa crise, ir contra as UPPs é como dar um tiro no pé”, afirmou o antropólogo e ex-capitão do Bope, Paulo Storani.

Segundo o cientista político e diretor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), Geraldo Tadeu, pesquisas mostram que, antes da UPP, a questão da segurança era preocupação entre 60 % e 65% da população do estado. Com a instalação das unidades, houve uma redução nessa demanda e um crescimento com a questão da Saúde pública. “Por isso, considero essas duas áreas os maiores desafios do governador para 2015. O programa começou de maneira empírica, sem ter um projeto, e segue com um objetivo limitado, que é exclusivamente recuperar o domínio do território, por isso já há sinais de fadiga”, explicou Tadeu.

Na Educação do estado, que tem a terceira maior receita de impostos do país, o caminho também não é menos tortuoso para o próximo gestor. “Não basta apenas construir mais escolas ou contratar mais professores. O principal desafio é o governante ter compromisso com a questão pública. Somos o único estado brasileiro em que a rede privada é maior do que a estadual, e isso já é um sinal de que há muito o que se fazer”, afirmou o professor Nicholas Davies, da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF).

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